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Greve na França: François Hollande diz que não vai ceder na reforma trabalhista

O presidente francês, François Hollande, disse nesta terça-feira (17) que não vai ceder na reforma trabalhista, que está na origem da semana de protestos e greves no país que começou ontem (16). “Não vou ceder porque muitos governos já cederam”, afirmou à rádio Europe 1.

“Prefiro que guardem de mim a imagem de um presidente que fez reformas do que a de um Presidente que não fez nada”, acrescentou.

A reforma legislativa “vai passar, porque foi discutida, elaborada, corrigida, emendada”, disse ele, ao lembrar que tem o apoio dos sindicatos reformistas e de uma maioria dos deputados socialistas, ou seja, do partido do governo.

A reforma da lei trabalhista foi aprovada na semana passada por decreto e as principais manifestações de contestação nas ruas acontecem hoje e na quinta-feira (19), com protestos convocados por sete sindicatos de trabalhadores e de estudantes, para quem a aprovação da legislação sem votação reforça a necessidade de ampliar as mobilizações iniciadas há mais de dois meses.

Tramitação

A proposta de lei foi aprovada na terça-feira (10) da semana passada na Assembleia Nacional em primeira leitura, embora sem votação, pois o governo recorreu ao Artigo 49-3 da Constituição por não ter assegurada a maioria de votos favoráveis.

O texto agora vai ser debatido no Senado entre 13 e 24 de junho e votado na câmara alta no dia 28. A proposta então volta para a Assembleia Nacional, onde o governo pode novamente invocar o artigo constitucional para que não haja votação.

A opção de impor a não-votação levou a oposição de centro-direita a apresentar uma moção de censura ao governo de François Hollande, derrotada na quinta-feira. “A tramitação parlamentar continua, a mobilização é mais indispensável do que nunca”, destacam os sete sindicatos na convocatória.

A reforma da lei trabalhista, apresentada como a última grande reforma do governo de Hollande, é considerada pelos sindicatos como “muito liberal”, favorecendo as empresas e desprotegendo os trabalhadores.

Uma pesquisa de opinião divulgada no domingo concluiu que mais de metade (56%) dos franceses apoia os protestos contra a reforma trabalhista, embora haja uma distinção clara entre os entrevistados de esquerda (67%) e de direita (33%) que apoiam o protesto.

Rodovias, portos e aeropotos

Caminhoneiros franceses circulavam lentamente na manhã de hoje, bloqueando portos, refinarias e outros centros industriais por todo o país, no início da nova jornada de greves e manifestações contra a reforma.

Esta manhã, por volta das 8h em Paris (3h horário de Brasília), o Centro Nacional de Informação Viária (CNIR) registrava diversas “operações caracol” de caminhões, que circulavam lentamente em pontos estratégicos da rede rodoviária francesa, nas áreas de Vitrolles (próximo a Marselha), Rennes, Caen, Nantes e Saint Omer (próximo do porto de Calais).

Alguns acessos ao porto de Saint Nazaire, no oeste, também estão bloqueados, assim como as entradas da refinaria de Donges. Em Le Havre (noroeste), o bloqueio de muitas estradas pelos caminhoneiros juntou-se ao protesto dos estivadores do porto.

Os caminhoneiros se queixam, em particular, de que a reforma trabalhista vai diminuir a remuneração de horas extras.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) convocou para amanhã uma greve na companhia ferroviária SNFC. Para quinta-feira, a greve deve paralisar o setor da aviação, após uma convocação dos controladores aéreos.

Por Agência Brasil

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