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Greve da Suframa está custando caro também para os caminhoneiros

Alguns motoristas, vindos de diferentes Estados, arcam com despesas do próprio bolso enquanto aguardam há dias pela liberação de suas cargas – fotos: Raimundo Valentim

Alguns motoristas, vindos de diferentes Estados, arcam com despesas do próprio bolso enquanto aguardam há dias pela liberação de suas cargas – fotos: Raimundo Valentim

Em torno de 991 carretas com aproximadamente 19,7 mil toneladas de mercadoria, o que equivale a R$ 347 milhões, continuam retidas à espera de liberação em virtude da greve dos servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

O retorno dos 30% dos funcionários da autarquia ao trabalho não foi suficiente para suprir a demanda necessária, conforme afirmação do Sindicato das Empresas de Agenciamento, Logística e Transportes Aéreos e Rodoviários de Cargas do Amazonas (Setcam).

O secretário da entidade, Raimundo Augusto Neto, salientou que é preciso encontrar uma saída logo para esta situação. Segundo ele, o Setcam procura conversar com representantes do Sindicato dos Servidores da Suframa (Sindframa) para buscar alternativas que minimizem os prejuízos.

“Estamos querendo fazer uma reunião porque eles não estão atendendo dentro do que a demanda precisa. A liberação de carga continua precária”, afirmou.

Além da indústria e do comércio local que já sofrem o impacto da paralisação, a greve dos servidores da Suframa, que no próximo dia 21 completa dois meses, também tem causado enormes prejuízos aos caminhoneiros, que vêm de vários Estados do país.

Alguns desses profissionais estão há mais de uma semana com os caminhões parados próximo ao Porto da Ceasa, na Zona Leste da cidade, aguardando a liberação de mercadorias.

Gastos extras

O caminhoneiro Gilberto José Luiz, 43, veio do Paraná com uma carga de panelas e aguarda liberação de sua mercadoria desde o último dia 10. Ele contou que já gastou 25% do cheque especial, o equivalente a quase R$ 2 mil, com a estadia na capital.

“Se a carga tivesse sido liberada estaria com saldo positivo na conta e não gastando o dinheiro que eu não tenho. O pior é que não há previsão de quando vou poder descarregar a mercadoria”, relatou.

Com uma carga de fogões a gás trazida também do Paraná, o caminhoneiro Mauro Antônio F. Oliveira, 60, disse que há pelo menos cinco dias aguarda o descarregamento da mercadoria. Ele revelou que não recebe diária do contratante pelo tempo que fica parado no aguardo da liberação, ou qualquer ajuda de custo.

“Não recebemos apoio de ninguém. No momento, andamos de um lado para o outro sem saber o que fazer”, enfatizou o caminhoneiro.

Em torno de 991 carretas com aproximadamente 19,7 mil toneladas de mercadoria, o que equivale a R$ 347 milhões, continuam retidas à espera da liberação

Em torno de 991 carretas com aproximadamente 19,7 mil toneladas de mercadoria, o que equivale a R$ 347 milhões, continuam retidas em Manaus, à espera da liberação

O presidente do Sindframa, Anderson Belchior, afirmou que está sendo liberado em torno de 155 carretas e entre 1 mil e 1,5 mil notas fiscais diariamente. Ele destacou que também estão cumprindo a decisão judicial que determina que 30% dos servidores da autarquia mantenham o desembaraço ativo das mercadorias.

Quanto ao governo federal, este ainda não deu nenhuma resposta. “O poder público não nos trata com a seriedade que merecemos, além disso, nosso pleito é desde 2009”, frisou.

Produtos perecíveis

Os técnicos da Suframa estão dando prioridade à liberação de produtos perecíveis, como alimentos, materiais médicos e odontológicos e medicamentos.

As carretas que não se enquadram nesses itens permanecem nos estacionamentos das transportadoras em Manaus e nas proximidades do Porto da Ceasa sem previsão para descarregamento de mercadoria.

O fato está acarretando no desabastecimento de produtos no comércio da capital, de acordo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Assayag. Conforme o empresário, as lojas já estão ficando sem produtos e, se continuar dessa forma, haverá demissões no setor.
“Se não houver mudança, vamos ter que demitir, e as demissões podem ser em massa”, enfatizou o empresário.

O Sindframa havia informado nas últimas semanas que a greve seria encerrada caso o Congresso Nacional derrubasse o veto da presidente Dilma Rousseff que excluiu da medida provisória 660/2014 a emenda do reajuste de salários e plano de carreira dos servidores da autarquia.

O problema é que a sessão marcada para o último dia 16 foi adiada para data indeterminada. Com isso, a paralisação das atividades da Suframa também continuará por tempo indeterminado.

Por Silane Souza (Jornal EM TEMPO)

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