Economia

Greve da Suframa deixa alimentos perecíveis ficarem mais caros nos mercados

Entre as causas do encarecimento de produtos está a lentidão da liberação de carretas por conta da greve - foto: Ricardo Oliveira

Entre as causas do encarecimento de produtos está a lentidão da liberação de carretas por conta da greve – foto: Ricardo Oliveira

 

A crise no abastecimento de produtos no Amazonas, devido à greve dos servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), responsáveis pela liberação das mercadorias que chegam à capital, começa a ficar mais aparente nas prateleiras dos supermercados. Enquanto alguns estabelecimentos não dispõem do produto, outros comercializam a um valor absurdo, como é o caso da cebola que é encontrada a R$ 10, o quilo.

Esse preço foi verificado no supermercado Fuji, situado na zona sul, onde há algumas prateleiras com espaços vazios. No DB, da zona oeste, a cebola estava em falta. Já no Nova Era, também da zona oeste, há uma enorme opção de hortifrutigranjeiros. Para a dona de casa, Karina Oliveira, 35, os produtos do gênero alimentício que são perecíveis, portanto, com prioridade para serem liberados pelos servidores da Suframa, são os que estão fazendo maior falta nos estabelecimentos.

O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra, destacou que o desabastecimento ocorre com produtos de todos os gêneros. inclusive, de vestuário a construção civil passando por alimentação, higiene, limpeza e utilidades do lar. Todos já começaram a faltar. “Ficamos distante dos centros fabricantes do Sul, com isso, os produtos já demoram de 20 a 30 para chegar aqui. Se já estão em falta agora imagina daqui mais uns dias”, frisou.

O dirigente empresarial salientou que a maior questão é o fato de diversas carretas estarem retidas por falta de vistoria da Suframa. Se a ação continuar por tempo indeterminado as vendas de Natal vão ser comprometidas, assim como foi a do Dia das Mães e do Dia dos Namorados, visto que as transportadoras não querem mais enviar mercadoria para Manaus. “Pedimos às autoridades que encontrem uma solução porque não é justo a população e o Estado ser prejudicado dessa forma”, disse.

Pontual

O gerente de marketing do grupo DB, Guto Cobertt, informou que não há falta de cebola nas unidades da rede, como o verificado pela reportagem. Segundo ele, o problema é pontual da loja. Ele também afirmou que ainda não há desabastecimento por conta da greve dos servidores da Suframa, mas pode haver se a paralisação permanecer por mais tempo. “O que existe é uma possível ruptura, pois tanto o transporte aéreo quando o rodoviário não está recebendo pedido tendo em vista que estão com estoque lotado”.

Além disso, Cobertt ressaltou que os produtos estão presos e ninguém consegue receber mais nada em decorrência da lentidão no processo de liberação dos produtos que chegam a Manaus. Conforme ele, essa situação é grave. “Existe fornecedor nosso local com problemas seriíssimos, mas nós ainda não temos devido à nossa central de distribuição”, destacou. Quanto à cheia, ele disse que não influencia tanto no desabastecimento porque a rede se programa para suprir a demanda desse período.

Leve baixa na fila de carretas

Há duas semanas, mais de mil carretas chegaram a forma imensas filas em função da greve dos servidores da Suframa. De acordo com o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Estado do Amazonas (Setcam) o número de carretas a espera de liberação da Suframa diminuiu neste final de semana. Um dos motivos foi que chegou menos carretas e os funcionários da autarquia conseguiram avançar no desembaraço das mercadorias.

Em reunião no último dia 19, o presidente do Sindicato dos Servidores da Suframa (Sindframa), Anderson Belchior, garantiu que não é do interesse do movimento prejudicar a sociedade com a paralisação. E que avaliaria alguns aspectos para que não houvesse maior sofrimento a indústria e ao comércio, além de perda de emprego na região.

Na ocasião, o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, evidenciou que o prejuízo estimado para a indústria com a paralisação dos servidores da autarquia já superava os US$ 150 milhões. O encontro ainda reuniu o superintende da Suframa, Gustava Igrejas e o presidente da ACA, Ismael Bicharra.

Por Silane Souza (equipe Jornal EM TEMPO)

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