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Governo Trump divulga nova política anti-imigração

O Departamento de Segurança Doméstica dos Estados Unidos divulgou os memorandos que colocam em prática a nova política de imigração do presidente Donald Trump, anunciada em decretos assinados em janeiro.

Entre as decisões mais polêmicas, está a de autorizar a deportação “expressa” para quem não conseguir comprovar que vive nos EUA de forma contínua por pelo menos dois anos. Antes, a prática estava limitada a pessoas detidas a menos de 100 milhas (160 quilômetros) da fronteira e que tinham chegado há menos de duas semanas no país.

Só essa decisão já tem potencial para aumentar significativamente o número de imigrantes deportados daqui para frente. A “remoção expressa” permite que um indivíduo seja mandado de volta a seu país sem passar por todo o processo legal, com audiências e o trâmite normal em tribunais.

Outra mudança é sobre quem serão os alvos prioritários de deportação, que, no governo Obama, eram os imigrantes ilegais condenados por crimes graves. Agora, os agentes de imigração e de fronteira estão orientados a deportar os condenados por qualquer crime.

Para dar conta da ação em todo o país, que tem cerca de 11 milhões de imigrantes sem documentos, está prevista nos memorandos a contratação de 10 mil novos agentes, a expansão do número de centros de detenção e a criação de um escritório para ajudar as famílias das vítimas de crimes envolvendo imigrantes ilegais.

Em uma teleconferência na manhã desta terça-feira (21), funcionários do departamento disseram, sob anonimato, que muitas das propostas terão uma implementação mais lenta, já que é preciso organizar a logística e finalizar as regras para as ações.

A decisão de levar imigrantes de países da América Central, como El Salvador, Guatemala e Honduras, para centros no México onde ficarão esperando por audiências, por exemplo, será implementada aos poucos, já que o governo vizinho precisa aceitá-los.

Dreams

Nesta terça, em entrevista à MSNBC, Trump disse que vai cuidar “muito, muito bem” dos imigrantes que chegaram aos EUA ainda crianças, os chamados”dreamers” (sonhadores), por serem protegidos pelo “Dream Act” -projeto de lei de 2001 (nunca aprovado), que prevê a regularização de estrangeiros que entraram no país antes dos 16 anos e têm hoje menos de 35.

Segundo os funcionários do Departamento de Segurança Doméstica, nenhuma das diretrizes assinadas pelo secretário John Kelly mudarão o programa conhecido como Daca, criado em 2012 por Obama, que oferece permissão de trabalho e proteção contra deportação aos “dreamers”.

Isabel Fleck

Folhapress

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