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Governo Temer preocupa economia da Zona Franca

O temor é quanto ao seu posicionamento sobre o contingenciamento dos recursos da Superintendência da Zona Franca de Manaus

O temor é quanto ao seu posicionamento sobre o contingenciamento dos recursos da Superintendência da Zona Franca de Manaus – foto: Diego Janatã

Apesar da avaliação positiva dos empresários da indústria e do comércio amazonense quanto ao afastamento de Dilma Rousseff, há um olhar temerário a respeito do governo de Michel Temer sobre a Zona Franca de Manaus (ZFM). O temor é quanto ao seu posicionamento sobre o contingenciamento dos recursos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e a sua proposta de abertura do país para o mercado internacional, que pode ser bom para a indústria nacional, contudo, prejudicial para o modelo ZFM.

A titular da Suframa, economista Rebecca Garcia, avaliou com cautela o novo cenário para a indústria do Amazonas. Para ela, preocupa a proposta de abertura para o mercado internacional, uma vez que essa iniciativa pode prejudicar a indústria amazonense. Segundo a economista, os caminhos da política econômica de Temer constam no plano chamado de “Ponte para o Futuro”.

“O que percebemos é que mudará totalmente a administração do país, bem mais voltado para a direita, uma nova corrente que vai comandar o processo do país. Li o novo plano de governo, que é uma abertura para o comércio exterior. Pode ser bom para o país, mas também pode ser ruim para a Zona Franca de Manaus”, avaliou Rebecca. Ela observou, no entanto, que tudo vai depender de quem comandará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

Para o economista da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) Francisco de Assis Mourão, pelo que se desenha no novo governo, a indústria amazonense pouco sentirá as mudanças, por falta de força política no sentido de defender mudanças estruturais e macroeconômicas regionais para o setor.

“Temos o polo industrial consolidado, um mercado interno bom, mas não temos força política, por isso sofremos com qualquer turbulência no cenário econômico nacional. Não sabemos como vai ficar o mercado daqui para frente, pois também sofremos com a falta de uma infraestrutura consolidada. Temos um nó que não desata”, comentou o economista.

Mourão observou a expectativa sobre o governo Temer quanto aos recursos da Suframa, que deveriam servir a sua finalidade de desenvolvimento regional, contudo, segue contingenciado. “A Suframa não consegue fazer nada porque não deixam a superintendente da Suframa utilizar o dinheiro. A autarquia tem arrecadação própria, mas não consegue porque não tem força política. Temos quase um bilhão contingenciado da Suframa, mas não temos força política para usar esse dinheiro no Amazonas”, desabafou o economista.

Além de vencer as preocupações quanto a política de abertura para o mercado externo e o contingenciamento dos recursos da Suframa, Mourão disse que se faz necessário enfrentar os gargalos da ZFM, quanto aos desafios na infraestrutura logística. “Não temos um porto para carga e descarga para a Zona Franca de Manaus. O aeroporto que se tem está congestionado”, analisou. “A infraestrutura do Amazonas só irá melhorar quando for retomada as obras da rodovia federal BR-319, que liga Manaus a Boa Vista e elas forem concluídas”, comentou.

O líder da oposição na Câmara dos Deputados, em Brasília, deputado federal Pauderney Avelino (DEM) avaliou que, no novo momento do Brasil, o relacionamento com o governo do Temer deve ser proveitoso para o Estado. “Tenho certeza que os incentivos da Zona Franca de Manaus serão mantidos. Nós queremos fazer com que a ZFM volte a crescer, nós queremos fazer com que o Brasil volte a crescer e uma coisa depende da outra”, salientou.

Por Stênio Urbano

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