Economia

Governo não cogita que agências retirem grau de investimento, diz secretário

Economia.

A equipe econômica não cogita que agências retirem grau de investimento do Brasil, disse nesta quinta-feira (30) o secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive. Segundo ele, o governo tem conversado constantemente com as agências de classificação de risco para mostrar que está empenhado em conter o crescimento das despesas públicas e que a redução da meta de superávit primário – economia para pagar os juros da dívida pública – decorreu da queda na arrecadação.

De janeiro a junho, o Governo Central – Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – teve déficit primário de R$ 1,597 bilhão. O resultado é o pior para o período desde o início da série histórica, em 1997, e inédito para o primeiro semestre.

“Não trabalhamos com redução da nossa avaliação por agências de rating. Estamos conversando com elas e explicando o que vem sendo feito, que o esforço fiscal permanece. Várias medidas foram encaminhadas ao Congresso e tudo nos faz pensar que vamos manter o grau de investimento”, declarou o secretário.

O grau de investimento representa uma chancela das agências de rating de que o país não corre o risco de dar calote na dívida pública. Países e empresas nessa categoria conseguem atrair investidores estrangeiros, como fundos de pensões, e levantam recursos no exterior com custos menores e melhores condições de pagamento.

Há dois dias, a agência Standard & Poor’s (S&P) reduziu a perspectiva da nota soberana do Brasil de estável para negativa, indicando que pode baixar a nota do país nos próximos meses. O rebaixamento faria o Brasil perder o grau de investimento e voltar ao grau especulativo, com risco de calote na dívida. Em outras duas agências, Fitch e Moody’s, o país está duas notas acima do grau de investimento e um eventual rebaixamento não faria o país perder a classificação.

Segundo o secretário, o comprometimento do Tesouro Nacional em controlar as despesas está no fato de que os gastos cresceram apenas 0,5% de janeiro a junho se descontada a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Nas despesas discricionárias (não obrigatórias), o corte chegou a 7,6% em termos reais, considerando a inflação, no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2014.

“A maior parte das despesas do Orçamento é rígida. A capacidade de o governo fazer a sua parte está nas despesas discricionárias. Para ampliar os cortes, seria necessário rever os gastos obrigatórios, o que precisa ser rediscutido e virar agenda de debate para a sociedade brasileira”, declarou o secretário. “Não existe afrouxamento do esforço fiscal, mas readequação às receitas, que estão caindo.”

 

Por Agênciabrasil

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