Política

Governo mobiliza aliados para aprovar nome de Fachin no Senado

Líderes governistas estão monitorando senadores individualmente, fazendo ligações e cobrando a presença no plenário - divulgação

Líderes governistas estão monitorando senadores individualmente, fazendo ligações e cobrando a presença no plenário – divulgação

O Palácio do Planalto espera aprovar o nome de Luiz Edson Fachin para o STF (Supremo Tribunal Federal) com uma margem pequena de votos, mas suficiente para garantir a ida do advogado para a Corte. O governo mobilizou aliados em todos os partidos governistas para estarem presentes no Senado nesta terça (19), quando o plenário deve analisar a indicação de Fachin para o STF.

Nos cálculos do governo, o advogado deve receber cerca de 21 votos contrários ao Senado, garantindo entre 58 e 60 ao seu favor. Fachin precisa de pelo menos 41 votos favoráveis para ser aprovado, como previsto pelas regras do Senado para a análise de indicações de autoridades ao Executivo e Judiciário.

A mobilização governista é resultado do temor de que, com o plenário mais esvaziado, Fachin não alcance o número mínimo de votos. Cabe ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), incluir a análise da indicação do advogado na pauta de votações da Casa.

“A gente está trabalhando para aprovar o nome do Fachin amanhã. Estamos contando os votos, garantindo presença forte dos senadores. Alguns estavam viajando, nós estamos os trazendo de volta, porque a presença deles é muito importante”, disse o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS).

Líderes governistas estão monitorando senadores individualmente, fazendo ligações e cobrando a presença no plenário. Nos bastidores, fazem cálculos atualizados do placar da votação de acordo com as conversas com cada parlamentar, mas não trabalham com o adiamento da análise da indicação. “É evidente que não pode brincar, o cenário exige muito cuidado e atenção”, completou Delcídio.

Renan trabalha nos bastidores contra a aprovação de Fachin, o que poderia ser motivo para aproveitar o baixo quórum para realizar a votação. O peemedebista está em rota de colisão com o Palácio do Planalto desde que seu nome foi incluído entre os investigados pelo STF na Operação Lava Jato.

Oficialmente, o senador afirma que age com “neutralidade e isenção” em relação à indicação de Fachin. Aliados do peemedebista, porém, admitem que Renan vem trabalhado contra o nome do advogado para demonstrar seu poder de força política no Senado. A votação é secreta, o que abre caminho para traições inclusive dentro da base governista.

“Há um número grande de senadores da base governista e estamos mobilizando aliados. Se o presidente Renan colocar em votação, teremos número para aprovar a indicação”, disse o líder do PT, Humberto Costa (PE).

A indicação de Fachin para o STF foi tema de reunião do vice-presidente Michel Temer, na tarde desta segunda, com líderes de partidos aliados no Senado. Também participaram do encontro os ministros Joaquim Levy (Fazenda), Aloizio Mercadante (Casa Civil) e o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Diogo Oliveira.

Oposição

Senadores da oposição prometem votar unidos contra Fachin, com exceção de Álvaro Dias (PSDB-PR), relator da indicação no Senado. Dias foi governador do Paraná em parte do período em que o advogado foi procurador do Estado. O tucano se transformou em um dos principais cabos eleitorais do indicado no Senado e defende o nome de Fachin dentro do PSDB -apesar da cúpula da sigla ser contrária à escolha do advogado pela presidente Dilma Rousseff.

“Acho que ele vai ser aprovado de forma tranquila. O quórum não vai estar baixo, não há hipótese de adiamento. Ele esclareceu tudo o que foi necessário durante sua sabatina no Senado”, afirmou Dias.

 

Por Folhapress

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