Eleições 2014

Google lidera divulgação de informações nas eleições

Desde o início da campanha, ao menos 137 ações judiciais foram registradas na Justiça Eleitoral até o dia 24 de setembro contra a divulgação de informações sobre candidatos que disputam as eleições gerais.

O cálculo é da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que desde o início do processo alimenta o site Eleições Transparentes, um mapa interativo com as origens dessas ações. Os dados, alimentados com a colaboração das próprias empresas de mídia, indicam que a maioria esmagadora das ações é contra o Google. Sozinha, a empresa concentra mais de três quartos das ações (103). Bem atrás vem o instituto de pesquisas Ibope, que é réu em 16 processos.

O número de ações sofridas pelo Google é justificado pelo tamanho e pela abrangência da empresa, de acordo com Guilherme Alpendre, secretário-executivo da Abraji. Ele explica que a maioria das ações catalogadas pede a retirada de vídeos do canal Youtube — pertencente ao Google. “Muitos dos blogs (com conteúdo considerado difamatório pelos candidatos) estão abrigados na plataforma Blogger, do Google”, acrescenta Guilherme.

Em comunicado, a empresa afirma que “não é surpresa o Google estar no topo da lista”, pois a “web é a maior vitrine para todos os conteúdos”. “Importante salientar que normalmente nós teríamos divulgados estes números por meio do “Transparency Report do Google” — mas como o “Transparency Report” sai muito depois do período eleitoral, achamos que valeria a pena dar transparência a estes pedidos de remoção em tempo real”, afirma o Google, em nota. A companhia acrescenta que o Brasil “é um dos países onde o Google tem recebido tradicionalmente o maior número de pedidos de remoção de conteúdo na web durante períodos eleitorais”.

Ibope

Depois do Google, a empresa que mais recebeu ações foi o instituto de pesquisas Ibope — Alpendre explica que empresas que prestam esse tipo de serviço geralmente são processadas porque candidatos questionam critérios de levantamentos de dados que podem ser desfavoráveis a eles. De acordo com a Abraji, Twitter e Facebook não quiseram participar do levantamento.

Ranking estadual

No ranking dos Estados, o Paraná é o que tem mais registros de ações: são 25, ou 18% do total do país. O segundo lugar fica com Alagoas, com 19 ações, ou 13% do total. De acordo com Guilherme Alpendre, os dados corroboram com uma conjuntura já existente em outros pleitos. “A gente, em eleições passadas, tinha notado que no Paraná já tinha bastante casos de cerceamento em época eleitoral. Conseguimos comprovar numericamente que o Paraná é o principal Estado em que isso acontece”.

Mapa interativo

O mapa interativo aponta ainda que a maioria dos autores pertence ao PMDB, com 28 ações ou 20% do total, seguido por PSDB, com 25 (17%) e PP, com 16 (ou 11%). Já o cargo que contabiliza mais autores de processos judiciais é o de governador, com 58% (82 ações). O candidato que mais acionou a Justiça — 14 vezes — foi Benedido de Lira, candidato do PP ao governo de Alagoas. Alpendre afirma que o cargo de governador, ao mesmo tempo que possui mais representantes numéricos que o de presidente, permite que os candidatos fiquem mais em evidência. “Governador é o cargo com mais visibilidade, com um número bem maior de candidatos. Por isso que é mais comum que as ações partam dos que concorrem a esse cargo”, diz.

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