Cultura

Garantido faz novena para Santo Antônio e sai nas ruas de Parintins

Novena é uma tradição na Baixa de São José, desde que o fundador do Garantido, Lindolfo Monteverde, criou a saída do bumbá no dia dos Namorados, há 68 anos – foto: Tadeu de Souza

Novena é uma tradição na Baixa de São José, desde que o fundador do Garantido, Lindolfo Monteverde, criou a saída do bumbá no dia dos Namorados, há 68 anos – foto: Tadeu de Souza

“Anunciei boi na cidade/ a minha fama boi contrário você sabe/ você tem inveja da minha toada/ esse é o boi Garantido que topa qualquer parada…”.

Essa toada de autoria de Lindolfo Monteverde ecoou mais uma vez, nesta sexta (12), nos céus da velha ilha tupinambarana, anunciando que o garrote da baixa de São José mantinha a tradição em sair pelas ruas da cidade brincando ao redor das fogueiras e homenageando os namorados.

Como tradição não pode ser quebrada, aconteceu antes da saída do boi a tradicional novena em honra ao santo casamenteiro.

Dona Maria Monteverde, filha de Lindolfo Monteverde, o fundador do boi Garantido, relembra com saudade os tempos em que a novena era comandada pessoalmente por Lindolvo.

“Ele convidava todos os amigos, os torcedores, as pessoas que eram devotas de Santo Antônio, que dizem ser o santo casamenteiro, os promesseiros, todos eram por ele convidados e ele fazia questão de receber um a um”, relembra Maria Monteverde.

Segundo ela, a tradição da novena e do boi sair às ruas às vésperas da festa de Santo Antônio tem 68 anos. Maria recorda a primeira novena, mas lembra que Parintins era outra cidade.

“Nós terminávamos a novena e papai colocava o boi na rua e esta avenida Amazonas era só um caminho e por ele íamos cantando as toadas e aqui ali entregando uma rosa vermelha para alguém”, afirmou.

O presidente do Garantido, Adelson Albuquerque, disse que a atual diretoria dispensou toda atenção para a saída do boi e a programação do curral da Baixa. “Temos o compromisso, a obrigação e o dever de preservar as nossas tradições, a nossa história, aquilo que mestre Lindolfo pensou para o nosso boi”, disse.

O vice-presidente do boi, advogado Fábio Cardoso, também acompanhou a movimentação na baixa e disse que estava feliz em poder viver a tradição vermelha e branca.

Saída do curralzinho

Depois do novenário, o boi tomou conta das ruas da cidade saindo do curralzinho da Baixa em direção a pra da catedral no centro histórico de Parintins.

“Há mais de 60 anos acompanho o boi, venho e sempre com muita saudade de meu amigo e compadre Lindolfo Monteverde”, recorda para o EM TEMPO o senhor Aluísio Cantanhede de Oliveira, 76.

Ele também recordou que nos primeiros anos da saída do boi pelas ruas da Parintins dos idos de 1950 a festa ao redor das fogueiras tinha mais participação.

“As pessoas se preparavam para receber a brincadeira, para ver o mestre Chico tirar a língua do boi e ouvir o maior de todos os toadeiros, Lindolfo Monteverde”, diz a senhora Tarsila Pereira Santos, 78, que nesta sexta acompanhou a saída do boi mais uma vez.

Ao longo da trajetória, o boi brincou ao redor das fogueiras e entregou rosas vermelhas para as mulheres que encontrou pela frente.

De Parintins, por Tadeu de Souza (Jornal EM TEMPO)

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