Dia a dia

Galerias antigas são a causa de erosões nas ruas de Manaus

As tubulações das galerias colocadas nos lençóis acabam não dando vazões e estouram com a pressão – Michael Dantas

 

A abertura de dezenas de crateras em diversas vias de Manaus nos últimos meses está relacionada à deficiência estrutural das antigas galerias da cidade, que se mostram ineficientes para atender à demanda atual, afirmam especialistas. Além disso, a falta de educação ambiental da população vem contribuindo para o problema.

Somente nos quatro primeiros meses deste ano, pouco mais de cinco erosões surgiram em avenidas de grande fluxo. Nesta semana, um enorme buraco se formou na rua 24 de Maio, Centro. Em abril, um trecho da Torquato Tapajós desabou após um forte temporal, provocando a interdição de parte da via por quase três dias. Na mesma semana, uma parte da avenida Lóris Cordovil, no bairro Alvorada 1, desabou. Na avenida Paraíba, condutores também foram surpreendidos recentemente com erosões.

Segundo o geólogo do CPRM Amazonas, José Luiz Marmos, esses problemas acontecem geralmente em planícies de inundações, provocados pela estrutura de obra. Ele explica que as manilhas (tubulações das galarias) colocadas nos lençóis acabam não dando vazões e estouram com a pressão, ocasionando essas erosões no solo. Na maioria dos casos, as crateras surgem próximas a igarapés, devido às intervenções, mas o problema não é considerado um fenômeno natural, e sim uma falha estrutural e humana.

Parte da Lóris Cordovil desabou após uma forte chuva – Janailton Falcão

“Não é um problema natural, mas sim construtivo. Sempre acontece numa região de baixada, próximo a um igarapé. O principal fator é esse, a questão do mau dimensionamento das tubulações. Com o excesso e as fortes chuvas, acabam rompendo. Não está relacionado ao aterro de igarapés. Com a colocação desses tubos, o terreno, que já tem naturalmente o solo mole, acaba cedendo se a estrutura não for bem compactada e dimensionada. É uma coisa induzida pelo ser
humano”, justificou.

Já o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), que foi questionado se as intervenções feitas nos lençóis seriam também responsáveis pelo surgimento dessa grande quantidade de erosões na cidade, disse por meio da sua assessoria de comunicação que o problema não se deve às intervenções do programa feito nos igarapés, mas sim à quantidade de lixo jogado e acumulado dentro das galerias. O órgão ressaltou que não trabalha a questão de aterro de igarapé. O serviço realizado por ele é de urbanização e recuperação
dos igarapés.

Sedimentação do solo

A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) disse que não tem o número exato de igarapés assoreados em Manaus. O processo de desassoreamento não ocorreu nos últimos anos, devido ao impedimento do Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam). “Ao longo do leito dos igarapés, existe a sedimentação de areia. Esse acúmulo de areia ao longo dos anos vai diminuindo a altura do leito, fazendo com que o igarapé fique assoreado. Esse assoreamento do igarapé não vai causar diretamente buraco em rua, ele vai causar alagações”, comentou o subsecretário de Serviços Básicos, Antônio Peixoto. Parte da população também concorda que o problema de abertura das crateras nas avenidas é na maioria das vezes provocado pela falta de sensibilidade de moradores próximos aos leitos que insistem em depositar resíduos nas margens dos igarapés.

Gerson Freitas

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