Cultura

Galeria de artes do Icbeu faz exposição de fotos da beleza feminina regional

Sem iluminação cênica nem recursos de estúdio, 40 fotografias em exposição na Galeria de Arte do Icbeu tentam traduzir o universo da beleza feminina regional – foto: Rodrigo Vale

Sem iluminação cênica nem recursos de estúdio, 40 fotografias em exposição na Galeria de Arte do Icbeu tentam traduzir o universo da beleza feminina regional – foto: Rodrigo Vale

Traços de rostos e corpos femininos e paisagens regionais se confundem em uma série de fotografias registradas pelo publicitário e designer Rodrigo Vale, intitulada “Cabocla”, que traz como foco a beleza natural da mulher amazônica.


Ao todo, são 40 imagens que buscam traduzir esse universo. Selecionadas pelo artista visual, formado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Leonardo Najar, as impressões ficam expostas de 10 (vernissage às 19h) a 18 de dezembro, na Galeria de Arte do Instituto Cultural Brasil Estados Unidos (Icbeu).

Com apoio da gráfica Digital Sense, “Cabocla” tem acesso gratuito para visitação, mas as obras estarão disponíveis para a compra e ao público também estão reservados outros produtos para aquisição, como cartões postais e calendários 2016 exclusivos da série fotográfica.

Ao EM TEMPO, Rodrigo Vale, que se considera um amante da fotografia e percorre pela trilha artística da dança e das artes plásticas, fala sobre seu desejo em retratar faces, sentimentos e emoções e sobre como a junção do cenário amazônico e da vontade de fotografar se tornou sua primeira exposição.

EM TEMPO – O que motivou você a produzir essas fotos? Quando a ideia surgiu, você já tinha a intenção de expô-las ou era apenas para compor um acervo pessoal?
Rodrigo Vale – A exposição do projeto Série Fotográfica Cabocla é a reunião de sete ensaios fotográficos realizados com mulheres nativas da região amazônica na Vila de Paricatuba e em lugares e cenários diversos dentro do Estado do Amazonas. Os ensaios envolvem nudez feminina artística e características regionais caboclas, inclusive na utilização de objetos do artesanato indígena para compor as cenas. Tem como finalidade promover a beleza e os traços da mulher da região Norte, valorizando a cultura, bem como chamar atenção para a memória indígena que, mesmo em parte esquecida, resiste ainda nos dias atuais, e que pode ser notada nos costumes da população. A paixão de todo fotógrafo é expor seu trabalho. E essa era a meta para o projeto Série Fotográfica Cabocla desde o início, poder compartilhar as imagens inéditas em uma exposição.

EM TEMPO – Quem são as pessoas que você fotografou? Pessoas comuns ou modelos profissionais?
RV – As fotografias foram feitas entre julho e outubro. As modelos são pessoas comuns, mas já ligadas à arte, seja na dança, na música ou no teatro. Seus nomes são Alice Rosas, Edilane Porto Dias, Huana Viana, Paloma Sena, Raquel Menezes, Rayara Bernardes Viana e Tailini Santos.

EM TEMPO – Como se deu o processo de seleção dessas pessoas?
RV – O projeto gira em torno da mulher amazônica. Inicialmente, selecionei as pessoas que mais me chamavam atenção para dar cara ao projeto. Quis fazer o contraste entre o cotidiano manauense e as raízes indígenas e caboclas. Juntei essas características em um só universo. As modelos possuem características urbanas, mas “se vestem” totalmente de Amazônia para o ensaio. E o resultado é a sensação de paz natural através do olhar e da feminilidade cabocla.

EM TEMPO – Que barreiras você encontrou ao longo do caminho para compor essas imagens?
RV – O trabalho é árduo e o tempo de execução do projeto foi desafiador. Mas posso dizer que encontrar o local perfeito (sem a presença de pessoas e com boa iluminação natural) foi um dos obstáculos mais difíceis.

EM TEMPO – Foram usados cenários de estúdio em algum momento?
RV – Não foram utilizados estúdios ou mesmo o uso de materiais de iluminação. Uma de minhas exigências sobre as imagens da série é que estas deveriam captar, ao máximo, a luz amazônica do ambiente, para registrar o tom natural das paisagens.

EM TEMPO – Na sua opinião, a mulher cabocla conhece a beleza que tem?
RV – A mulher cabocla não sabe a beleza que tem. Por isso, propus que as modelos posassem sem maquiagem e de forma natural, para ressaltar a beleza realmente característica da Amazônia. Minha intenção era mostrar essa natureza sem casa, o cru, a pureza da beleza feminina.

EM TEMPO – Algum outro trabalho já está sendo planejado por você a partir deste?
RV – Vários projetos estão sendo pensados, alguns com temáticas regionais, outros não, mas o momento agora é apenas da séria “Cabocla”.

Por Gustav Cervinka

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