Política

Fusão nacional entre PPS e PSB deixa filiados do Amazonas em ‘saia justa’

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Partido Popular Socialista (PPS) informaram na última quarta-feira (29) que decidiram se fundir - foto: divulgação

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Partido Popular Socialista (PPS) informaram na última quarta-feira (29) que decidiram se fundir – foto: divulgação

Se no cenário nacional as coisas andam bem ajustadas com a fusão entre o PPS e PSB, no Estado do Amazonas a coisa não é tão simples assim, pois olhando pelo lado dos apoios, as duas siglas na capital andam de lados opostos. Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), por exemplo, o PSB, representado pelo presidente regional da sigla, vereador Marcelo Serafim, faz parte da base aliada do prefeito Arthur Neto (PSDB), e na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), pelo presidente de honra, deputado Serafim Corrêa, também é aliado do prefeito. Já o PPS, do presidente regional Guto Rodrigues e do deputado federal Hissa Abrahão, teve um rompimento drástico com o prefeito Arthur Neto.

Questionados sobre como ficará a nova sigla no Estado e quem subiria no mesmo palanque, os parlamentares e presidentes das duas siglas comentaram, mas alguns preferiram se manifestar somente após a consolidação do projeto em nível nacional, como é o caso do deputado federal Hissa Abrahão, que preferiu não comentar o assunto até que a situação entre os partidos seja resolvida nos cenários nacional e estadual.

O deputado Luiz Castro (PPS) disse que está afastado da direção do partido e que está apenas observando como ficará a sigla após a fusão e como será separada a questão dos apoios tanto com relação ao prefeito de Manaus (Arthur) como com o ministro de Minas e Energia (Braga). “Sinceramente, eu me pergunto como vai ficar. Como estou praticamente sozinho no partido, no momento só estou observando o que vai acontecer com a fusão”, ponderou Castro.

Já o ex- deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) ressaltou que jamais subiria no mesmo palanque com Hissa. Segundo ele, não por questões de disputa eleitoral, mas pela divergência de pensamentos. “Não há hipótese de estar no mesmo palanque que o Hissa. Não pela disputa eleitoral, mas por entender que ele tem pensamentos completamente diferentes dos meus. Como li em um veículo de comunicação: essa fusão é o ‘casamento entre a cobra e o jacaré’, e é isso mesmo. Percebo que os partidos não estão mais lutando por ideologias, mas por disputas eleitorais”, comentou Ramos.

Questionado se essa fusão seria um motivo a mais para deixar a legenda, Ramos disse que a fusão não o agrada, mas a decisão de deixar o PSB ou não será tomada na hora certa. “Do ponto de vista pragmático, vai ser um partido grande, com nomes na Câmara federal e na Assembleia estadual, mas essa ideia não me agrada. Agora a decisão de sair ou não do partido, eu vou tomar na hora certa”, pontuou.

Outra questão apontada por Marcelo é quem vai conseguir convencer quem, lembrando que o PPS rompeu com o prefeito Arthur e que o deputado federal Hissa Abrahão segue as linhas do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB). “Os Serafins (Marcelo e Serafim Corrêa), vão conseguir convencer o PPS a seguir Arthur, ou ao contrário, o PPS vai conseguir levar os Serafins a apoiar Braga?”, satirizou Ramos.

Já o presidente do PSB, Marcelo Serafim afirma que não haverá problemas com a fusão das legendas. Ele acrescenta que as discussões serão mantidas de forma madura e com tranquilidade.

“Da nossa parte não terá dificuldades. Vamos tratar todas as discussões de forma madura. Onde houver convergência será mantido e onde houver divergência conversaremos com maturidade”, ressaltou.

Serafim disse ainda que foi aprovado durante a reunião dos partidos em Brasília, que o PSB ficará com 70% dos cargos e o PPS com o restante, 30%. “O PPS vem para somar com nós e nós somarmos com eles. Ficou aprovado que o PSB será referendado com 70% dos cargos”, pontuou.

Quanto à ‘inimizade’ do PPS, diga-se Guto Rodrigues e Hissa Abrahão com o prefeito Arthur Neto, Marcelo disse que o foco do partido no momento é a organização da nova sigla no interior do Estado. “Nesse momento estamos preocupados com a organização do partido no interior do Amazonas. Hoje (ontem) já visitei os municípios de Boa Vista do Ramos, Barreirinha e Parintins e amanhã (hoje) visitarei Nhamundá e depois retorno para Manaus”, explicou Marcelo Serafim.

A reportagem tentou contato com Guto Rodrigues, presidente regional do PPS, mas na primeira ligação ele disse que não poderia falar, pois estava resolvendo questões de prestação de contas, depois não atendeu mais as ligações.

União nacional já foi anunciada

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Partido Popular Socialista (PPS) informaram na última quarta-feira (29) que decidiram se fundir. O anúncio foi feito pelos presidentes das siglas, Carlos Siqueira, do PSB, e Roberto Freire, do PPS, durante entrevista coletiva na Câmara dos Deputados.

As conversas sobre a fusão das legendas tiveram início em 2014, entre Eduardo Campos, que era do PSB, e Roberto Freire. O processo de aproximação ficou claro quando o PPS participou da coligação que lançou a candidatura de Eduardo Campos à Presidência e apoiou a candidatura de Marina Silva.

Com a união dos partidos, a nova legenda terá 7 senadores, 45 deputados federais e três governadores, segundo dados dos partidos. Ainda não foi definido qual será o nome do partido a ser formado. A proposta do PSB é que o a nova legenda se chame “PSB 40”. “Não se deve mudar marca que está dando certo”, defendeu Carlos Siqueira. Ele ponderou, entretanto, que o fato de um partido ser menor que o outro não deve implicar “subordinação”.

Roberto Freire disse que o nome do partido é uma questão que “evidentemente” ainda será discutida, mas minimizou esse debate. “Temos também algumas propostas a fazer. Mas isso não será impedimento para algo muito maior que se está construindo. É o programa que vai caracterizar o novo partido”, afirmou.

Freire afirmou que o processo de fusão irá se iniciar e que o partido estará “pronto” até o mês de junho. Segundo ele, a dinâmica será “sem muito atropelo”.

“Esses processos terão que ser decididos em congressos extraordinários. Tem que ver os prazos de convocação dos congressos para fazer definição de datas. (…) Precisamos estar prontos com isso para que se prepare para eleições do próximo ano. Até outubro, antes disso, estaremos com partido pronto. Não passa do mês de junho”, disse.

 

Por Moara Cabral Jornal EM TEMPO

 

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