Editorial

Furo no combate à corrupção

Ao informar que entregou à presidente Dilma Rousseff a carta em que pede demissão do cargo que ocupou desde junho de 2006, o ministro Jorge Hage, da Controladoria-Geral da República (CGU), também tornou pública sua avaliação de que é necessário maior controle das estatais. “Já cumpri com meu dever, já dei a minha contribuição. Já são 12 anos de Controladoria, sendo 9 anos como ministro. Está na hora de descansar”.

Em setembro deste ano, durante a campanha eleitoral, Hage incomodou o Palácio do Planalto ao comentar que a redução de R$ 7,3 milhões no orçamento do órgão, em relação ao de 2013, havia gerado uma situação de “penúria orçamentária” na pasta. Mas o foco do ministro está mais além, como detalhou ontem, em um evento da CGU com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, em Brasília.

“Em 2008, chegamos a um ponto razoável no número de servidores. De lá para cá, a perda é grande, são 300 auditores a menos. Então o que fizemos este ano foi remanejar pessoas de uma área para outra. Por exemplo, na área que cuida de energia, petróleo e gás, tendo em vista intensificar as auditorias e os trabalhos de corregedoria na Petrobras, deslocamos servidores dos mais diversos setores para esse setor”, relatou Hage.

Atualmente, segundo o ministro, a CGU consegue “antecipar as condutas ilícitas nas licitações” com a criação do setor “Observatório da despesa pública”, que cruza bancos de dados de setores governamentais. “É uma pena que as empresas estatais não participem desses bancos de dados. É preciso agora, numa nova etapa, trazê-las para o foco do controle, porque atualmente elas têm sistemas de licitação próprios, não utilizam os sistemas corporativos do governo”, o que as deixaria fora de controle, como no caso da Petrobras. Assim não se combate a corrupção.

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