Dia a dia

Funk da FDN revela que ordem para massacre partiu do Comando Vermelho

Parte da música revela que a maior rebelião do Estado do Amazonas aconteceu para enaltecer o “poder da facção” dentro dos presídios – foto: Ione Moreno

Um funk, onde a facção criminosa Família do Norte (FDN) desafia a segurança pública do Estado do Amazonas e detalha o massacre dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) no primeiro dia de 2017, está sendo compartilhado em grupos do WhatsApp nesta quarta-feira (4).

O funk fala da morte dos rivais, membros da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), e demonstra que a determinação para as execuções dos detentos partiu do Comando Vermelho (CV), facção ao qual a FDN é filiada.

“Decretado o poder, a ordem vou te dizer, foi batido o martelo para torar os PCC. O comando é um só, tá daquele jeito, representa a FDN, junto ao Comando Vermelho”, diz no início do áudio.

Parte da música, feita pelos membros da FDN, revela que a maior rebelião do Estado do Amazonas aconteceu para enaltecer o “poder da facção” dentro dos presídios. Alguns presos foram mortos por traírem a organização criminosa.

“Tomamos de assalto todo cadeião. Representamos de tal forma, a massa reunida. Pra quem pagou de doido sentiu o poder da família. Aqueles que conspirou, traíram a família, o bagulho foi tão doido, se batendo igual galinha”

A FDN desafia o Governo do Estado e ironiza a ação dos policiais no dia da rebelião. Segundo a música, a facção tomou conta da cadeia e que vai continuar atuando sem o impedimento da força de segurança. “A guerra só começou”, provoca a facção.

“Foi troca de tiros, polícia não peitou. A bala comendo solta e a Rocam recuou. Tava tudo dominado, a cadeia em nossa mão. Os presos tudo decapitado na quadra do cadeião. Tô passando outra visão pro Estado se ligar, nossa estrutura aqui é forte e jamais vão nos derrubar. Pode anotar, escreve o que eu tô falando. A força da FDN só está começando. Então não desacredita porque a guerra só começou”.

Os integrantes da organização ainda falam sobre a repercussão na mídia mundial do massacre no Compaj e alertam para novas ocorrências. “Dia primeiro de janeiro representou o crime”, relata em parte do funk.

Escute o funk na íntegra

 

Resposta da segurança

A reportagem entrou em contato com o secretário de segurança pública, Sérgio Fontes, sobre a divulgação do funk e ele disse que os órgãos, que compõem a força de segurança, não vão se intimidar com qualquer ameaça de criminosos ou membros de facções.

“As redes sociais deram voz para todo tipo de covardia. É muito fácil qualquer pessoa postar qualquer coisa e hoje não considero essa música uma ousadia. A pessoa que divulgou o funk se esconde através do anonimato, através da rede social. Isso é uma manifestação covarde e infame. Outras manifestações de terror também já ocorreram e visam aterrorizar a população. A própria postagem das imagens do confronto eu vejo como algo banal. Esse é um rap de mau gosto, não vamos nos intimidar com musiquinhas. Nosso trabalho demonstrou que vale a pena ser continuado. Nós reduzimos 20% homicídios em 2016 e aumentamos em quase 70% o número de prisões, por isso, houve superlotação nos presídios. Não nos levamos por essas manifestações do crime organizado”, disse.

Bruna Souza

Portal EM TEMPO

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