Política

Fundadores do PT-AM estão decepcionados

Militantes e políticos do partido mantinham na base o capital político na luta por uma sociedade mais justa e no combate à corrupção no país – foto: divulgação

Militantes e políticos do partido mantinham na base o capital político na luta por uma sociedade mais justa e no combate à corrupção no país – foto: divulgação

Até assumir o poder nas eleições de 2002, com a ascensão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para governar o país, o Partido dos Trabalhadores (PT) empunhava a bandeira da ética e o combate à corrupção, denunciando todos os deslizes de adversários e cobrando uma postura limpa dos políticos brasileiros.

Fundado em 10 de fevereiro de 1980, com a adesão de vários setores da sociedade, de trabalhadores do campo a artistas e intelectuais, o PT viu na última década todo o seu legado ético-político ser colocado em xeque e mesmo manchado com denúncias e escândalos de corrupção que tanto combatia.

No Amazonas, a fundação da sigla também passou por grandes lutas e a interação de vários líderes locais. Os militantes que fazem parte da história do PT no Estado reconhecem que a crise política e as acusações de corrupção no governo da presidente Dilma Rousseff mancharam a trajetória de luta e oposição à ditadura militar, de um partido formado por sindicalistas, intelectuais, artistas e católicos ligados à teologia da libertação. Mas, os deputados estaduais Sinésio Campos e José Ricardo ressaltaram que os problemas de corrupção não se resumem apenas ao PT, mas à conjuntura política no Brasil e envolvem praticamente todos os partidos.

Há 25 anos na sigla, Sinésio Campos revelou que nunca pensou em trocar de partido e a raiz dos problemas políticos que o país enfrenta hoje, frisou, não é o PT, mas, sim, o sistema político brasileiro. “Além disso, os meios de comunicação que não são imparciais e a falta de uma reforma política. O resultado está aí. Eu não sei qual é o partido que não está envolvido em escândalo”, observou.

Sinésio ressaltou que a corrupção era algo normal em outros partidos e que acabou chegando ao PT, que não ficou imune. “Na minha avaliação, a mídia deveria ser imparcial. Agora veio à tona a participação em corrupções de outros partidos. Temos que voltar ao debate da reforma política para melhorar a política no país e os casos de polícia ficam com a polícia”, disse.

Defensor do partido, o deputado José Ricardo ressalta que nenhum petista do Amazonas está envolvido em escândalos de corrupção. “Aqui no Amazonas ninguém está envolvido em nenhuma irregularidade. Temos mais de 20 mil filiados e o PT continua o mesmo. O erro de algumas pessoas não compromete a essência do PT e os seus ideais e princípios de lutar por Justiça. Todas as pessoas que conheço e alguns fundadores do partido continuam na luta”, disse o parlamentar, que está filiado há 20 anos à legenda.

Apesar de defender que quem estiver envolvido em corrupção deve pagar pelos seus erros, o deputado admitiu que os atos errados de alguns entristecem aqueles que prezam pela ética e bons costumes na política.

“É claro que ficamos tristes com eventuais erros de algumas pessoas em outros Estados e problemas em nível nacional que envolvem petistas históricos. Mas, como toda instituição, não é por causa do erro de alguns que o partido está errado ou tem que acabar. Por exemplo, se um padre errar não vamos acabar com a igreja, que ele pague pelos seus erros, e isso vale para o PT. Aquela pessoa responde pelos seus crimes. Se alguém errou, que se apure e pague pelos seus crimes, mas a instituição não tem nada a ver”, defendeu.

Com 28 anos de PT, o vereador Waldemir José relembrou o início da vida política desde 1985, quando participava dos movimentos estudantis. Ele defendeu que sejam fortalecidas as investigações contra a corrupção e quem estiver envolvido, independentemente de partido. Mas, afirmou que tem orgulho da história do Partido dos Trabalhadores.

“O PT me orgulha muito. É o primeiro partido imitado na Europa, que incentivou o orçamento participativo, que se espalhou mundo a fora. Mas, como todo partido, grande temos que ter autocrítica. Quem errou tem que pagar. Somos um partido de massa com mais de 2 milhões de filiados que tem o papel de ser pedagógico em avaliar e cortar na carne os que erraram”, enfatizou.

Por Augusto Costa e Camila Carvalho

1 Comment

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  1. celso

    27 de março de 2016 at 07:57

    Ladainha, os decepcionados saíram a época do mensalão, os que continuam são cúmplices.

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