Dia a dia

Fumaça volta a encobrir Manaus neste domingo

Nas avenidas das Torres e Ephigênio Salles era possível ver a fumaça comprometendo a paisagem, pairando entre as árvores ou entre os prédios – fotos: Yndira Assayag

Nas avenidas das Torres e Ephigênio Salles era possível ver a fumaça comprometendo a paisagem, pairando entre as árvores ou entre os prédios – fotos: Yndira Assayag

Manaus amanheceu o domingo (11) mais uma vez coberta pela névoa seca de fumaça que há cerca de uma semana vem encobrindo o sol no horizonte e reduzindo a visibilidade nas ruas da capital. O fenômeno é provocado pelas queimadas em áreas próximas à cidade, segundo informação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Nas avenidas Governador José Lindoso (das Torres) e Ephigênio Salles, Zona Centro-Sul da cidade, era possível ver bem como a fumaça comprometia a paisagem, pairando entre as árvores ou entre os prédios.

Conforme o Corpo de Bombeiros, o número de chamados denunciando focos de incêndio aumenta a cada dia. “O fogo, aliás, castiga o Estado como nunca”, disse o tenente Janderson Lopes.

Fumaca-1-Yndira

As consequências do fumaceiro são percebidas no sistema de saúde. Conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde, as chamadas ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) aumentaram 15% nos primeiros dias de outubro. A maioria dos casos era de pedidos de informação sobre como proceder para cuidar de crianças que estavam passando mal devido à inalação de fumaça.

Até este sábado (10), já tinham sido registrados 11.439 focos de calor no Amazonas este ano, contra 7.543 no mesmo período do ano passado, um aumento de 51%. Ainda faltam quase três meses para o ano acabar, e já é batido o recorde de registros em apenas um ano no estado. A notícia ruim continua nos primeiros dias de outubro, com 399 focos registrados.

Há um grande número de focos na Região Metropolitana de Manaus e municípios próximos. Dois municípios na área sob influência da BR-319 estavam entre os recordistas no estado de registros de queimadas no período de 01 a 29 de setembro: Careiro, a 102 quilômetros de Manaus, com 350 focos; e Autazes, a 108 quilômetros da capital, com 222 foco. Esses dois municípios sofrem grande pressão devido à expansão agropecuária.

Após vacilar no primeiro momento e culpar queimadas nos estados vizinhos, Pará e Mato Grosso, pela fumaça em Manaus, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) só se mobilizou para enfrentar o problema no fim de semana, em uma ação conjunta que inclui também Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Corpo de Bombeiros e o Batalhão Ambiental da Polícia Militar.

As queimadas no Amazonas estão crescendo nos últimos anos, a ponto que desde 2012 o estado registrou mais focos de calor do que Rondônia. O descontrole ocorre justamente no ano em que o governo estadual desmontou o sistema de gestão do Meio Ambiente, com cortes profundos na Secretaria de Meio Ambiente.

Por Lindivan Vilaça

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