Política

Fronteiras estão desprotegidas e Exército precisa de tecnologia para combater o crime, diz general Theophilo Gaspar

Com apoio de recursos audiovisuais, o militar mostrou o painel “Guerra na Fronteira” - foto: divulgação

Com apoio de recursos audiovisuais, o militar mostrou o painel “Guerra na Fronteira” – foto: divulgação

Um levantamento minucioso dos problemas enfrentados pelo Exército Brasileiro para proteger as fronteiras nacionais, especialmente na região Norte do país, e a consequente necessidade de investimentos em tecnologia e pesquisas para combater o crime, compuseram a palestra aplicada pelo comandante do Comando Militar da Amazônia (CMA), general de Exército Theophilo Gaspar de Oliveira, aos deputados estaduais, autoridades civis, cientistas, membros do Judiciário e convidados, na Sessão Especial da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), realizada nesta sexta-feira (23), na sede da unidade militar, na zona Oeste de Manaus.

Com apoio de recursos audiovisuais, o militar mostrou o painel “Guerra na Fronteira”. Sem poupar palavras nem minimizar impactos, o general Theophilo Gaspar mostrou que a Amazônia e o Amazonas estão abertos para crimes como a exploração e contrabando de minerais, entrada de armamento pela fronteira com a Venezuela que, segundo ele, “está inundada por fuzis Kalashinikov”, a imigração ilegal tanto vinda do Haiti como, recentemente, do Senegal (de janeiro a maio deste ano, 30 mil estrangeiros entraram no país de forma não autorizada).

Além disso, a extração ilegal de madeira, a pesca ilegal, pistas de pouso clandestinas, tráfico de animais silvestres que já é quase maior que o tráfico de drogas, o contrabando de gasolina da Venezuela, garimpos ilegais, conflitos em terras indígenas e muito mais fazem parte dos crimes de fronteira. “A Colômbia está usando o desfolhante “agente laranja” para acabar com plantações de coca, mas está poluindo gravemente o rio Solimões”, revelou o general, acrescentando que a guerrilha Sendero Luminoso está voltando à ação com força total, desta vez associado ao narcotráfico. “Para mim, isso já é uma guerra. Não é mais um delito, é uma guerra”, sintetizou o comandante.

Com tantos problemas espalhados ao longo da fronteira seca do Brasil, o militar se mostrou preocupado com o que chamou de “grande vazio”, ou seja, a falta de órgãos de segurança que, de forma efetiva possam monitorar as fronteiras e assegurar segurança ao país. “Temos um grande vazio de órgãos da segurança em comparação com o Sul e Sudeste e parte do Centro-Oeste”, chamou atenção.

Além dos criminosos, as fronteiras brasileiras enfrentam a falta de recursos e tecnologia para protegê-las, apontou o general. “Não temos tecnologia. As naves pequenas, de voo baixo, não são captadas pelos radares do Sipam/Sivam e Cindacta. Precisamos de radares que alcancem essas aeronaves”, exemplificou. O próprio Tribunal de Contas da União (TCU) confirmou que o Plano Nacional de Fronteiras, que permitira ao Planalto coordenar a proteção da soberania nacional, “simplesmente não existe”, apontou Theophilo Gaspar.

“Nós (o Exército) já levantamos todos os dados. Sabemos onde estão e o que está acontecendo em cada ponto das fronteiras amazônicas. Mas como vamos fiscalizar tudo isso? Precisamos de recursos para investir em tecnologia e pesquisa. O Exército não poderia sofrer nenhum corte de orçamento, sob risco de ficar até sem combustível para voadeiras e hoje já estamos sofrendo cortes”, disse o palestrante. “Estamos perdendo pouco a pouco a soberania do nosso país”, resumiu.

Com informações da assessoria de comunicação

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