Economia

Fórum propõe agenda com base na educação para o desenvolvimento do país

A educação como base para o processo de desenvolvimento do Brasil esteve no centro das discussões do 27º Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), que começou hoje (11) no Rio de Janeiro. O presidente do fórum, ministro João Paulo dos Reis Velloso, disse que a nova revolução industrial, a maior desde 1790, caracteriza-se pelo avanço tecnológico muito rápido. Segundo ele, isso barateia os componentes e populariza o acesso, pela digitalização sem fronteiras, a praticamente tudo pelo internet e pelas novas frentes de inovação. Para que o Brasil acompanhe os avanços, Reis Velloso sugere que o país importe modelos de desenvolvimento.

“Países escandinavos eram pobres há cem anos e usaram ciência e tecnologia, métodos modernos de gestão e qualificação de mão de obra para o desenvolvimento. Já na economia do conhecimento as tecnologias recondicionam todos os setores econômicos e sociais. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) coloca que 50% do produto interno bruto (PIB) dos países desenvolvidos resultam da geração, uso e difusão do conhecimento”, disse.

No Brasil, de acordo como economista, o modelo sugerido pelo fórum é levar educação superior e pesquisas a todos os setores da economia. Na área social, seria difundir conhecimento para todos os segmentos da sociedade, inclusive os de baixa renda, levando progressivamente ao fim das exclusões sociais. “A educação tradicional não é mais adequada, precisamos utilizar os códigos modernos de educação: capacidade cognitiva, criativa, de tomar decisões, domínio do inglês e capacitação em tecnologias”.

Para Velloso, os grandes impulsos que o Brasil precisa para chegar ao alto crescimento são, no curto prazo, o ajuste fiscal. No longo prazo, desenvolver estratégia para a expansão das exportações, utilizando como pilares da competitividade o desempenho econômica, eficiência do governo, capacidade empresarial e infraestrutura.

O professor Gilmar Masiero, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), apresentou o modelo sul-coreano que em 60 anos levou o país ao sétimo lugar nas exportações mundiais e ao topo de todos os rankings de educação, como alavancando a renda per capita e os anos de escolarização média da população.

“Desde 1945 a Coreia do Sul faz planos quinquenais de desenvolvimento, até o fim dos anos 1990 com a crise asiática, quando os planos passaram a ser setoriais”, disse. De acordo com Masiero, o modelo se baseia, por exemplo, numa economia planejada pelo governo, com a construção de uma sociedade mais igualitária conseguida com as reformas agrária e educacional, liderança governamental com políticas flexíveis, forte sentimento nacionalista e promoção das exportações para o mercado global.

O professor destacou ainda a opção pela industrialização, seleção de indústrias para serem promovidas, o desenvolvimento tecnológico a partir de intensiva educação e treinamento alinhado à políticas industriais. Como lições que o Brasil pode aprender com a Coreia do Sul, Masiero resumiu três pontos: “Educação mais educação e mais educação, planejamento de longo prazo alinhado entre governo e setor privado e inovação”.

Por Agência Brasil

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