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Forças externas pedem paz na Síria, mas estimulam guerra, diz relatório

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Com a baixa de soldados nas Forças Armadas, Assad passou a recrutar milicianos estrangeiros para suas ofensivas – foto – reprodução

Os atores internacionais e regionais que mais pedem uma solução pacífica para a guerra na Síria, que completará cinco anos em março, são os mesmos que continuam alimentando a escalada militar do conflito.

Essa foi uma das conclusões do relatório da Comissão Independente Internacional de Investigação sobre a Síria, liderada pelo diplomata brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro.

A pesquisa foi realizada entre 10 de julho de 2015 e 10 de janeiro de 2016 e teve como base 415 entrevistas conduzidas na Síria e à distância, além de análises acadêmicas e relatórios governamentais, de ONGs e das Nações Unidas.

Segundo a comissão, o principal desafio enfrentado para o levantamento de dados foi a negativa do governo do ditador Bashar al-Assad para que os investigadores entrassem no país.

Ainda que nenhuma das partes do conflito pareça estar apta à vitória, todas têm capacidade de manter suas operações militares indefinidamente, perpetuando as mortes e a destruição do país.

As coalizões militares lideradas por Rússia e Estados Unidos diminuíram a capacidade financeira e operacional da facção terrorista Estado Islâmico, sem, no entanto, erradicar os ataques dos extremistas em importantes regiões, como a rota de suprimentos entre as cidades de Hamah e Aleppo ou áreas próximas a Homs.

Com a baixa de soldados nas Forças Armadas, Assad passou a recrutar milicianos estrangeiros para suas ofensivas, levando à fragmentação das forças do governo e à descentralização da autoridade do Estado.

EDUCAÇÃO

Mais de três milhões de crianças sírias deixaram de ir à escola regularmente. Muitas delas, provavelmente, nunca completarão sua formação.

Os estabelecimentos educacionais, além de serem alvos de ataques indiscriminados por todas as partes do conflito, também vêm sendo usados para propósitos militares, servindo como base para soldados e depósito de armas.

Muitos professores e estudantes foram mortos ou tiveram que fugir de suas cidades por conta da guerra.

 

SAÚDE

Com a destruição deliberada de hospitais e clínicas, os civis passaram a ter pouco ou nenhum acesso a cuidados médicos. Em muitas cidades, apenas pequenos ferimentos podem ser tratados localmente. Muitos equipamentos e estoques de remédios foram destruídos.

Em Aleppo, por exemplo, que antes da guerra era a capital econômica do país, de 33 hospitais que estavam abertos em 2010, menos de 10 hoje estão funcionando.

O pedido das Nações Unidas para que todas as partes respeitem o princípio da neutralidade médica, garantindo segurança aos profissionais de saúde, às instalações médicas e ao transporte de doentes e feridos, não vem sendo cumprido.

ECONOMIA E PROVISÃO BÁSICA

A guerra criou uma economia paralela baseada no oportunismo, na violência, na extorsão e no desrespeito aos direitos humanos.

Em áreas cercadas, o preço de produtos básicos explodiu. Muitos das fábricas em áreas dominadas pela oposição foram destruídas por bombardeios de forças pró-governo.

Milhões de sírios têm pouco ou nenhum acesso à eletricidade e à água encanada. Nas áreas controladas por rebeldes, esse corte foi deliberado. A falta de água potável para beber, cozinhar e tomar banho expôs a população a diversas infecções.

Patrimônio Cultural

Ao destruir o patrimônio histórico e cultural da Síria, o Estado Islâmico busca projetar seu domínio e impor sua visão de mundo, aniquilando outras formas de identidade.

Em áreas dominadas pela facção, muitos artefatos de sítios arqueológicos e museus foram pilhados e traficados. O Estado Islâmico também conta com especialistas que identificam e avaliam o valor dessas peças, para proveito dos terroristas.

GÊNERO E VIOLÊNCIA SEXUAL

Foram documentados estupros em prisões controladas pelo governo sírio. Em áreas controladas pelo Estado Islâmico, mulheres tiveram seus direitos de estudar, trabalhar e de ir e vir cerceados ou negados, retirando-as da vida pública. As da minoria religiosa yazidi, algumas com apenas nove anos, são vendidas em mercados para milicianos como escravas sexuais.

No entanto, em regiões livres dos extremistas, o papel das mulheres ganhou importância. Com a ausência dos homens —que estão em combate, foram mortos ou desapareceram -muitas passaram a chefiar seus lares.

 

Por Folhapress

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