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Foragido há cinco dias, ex-governador de Roraima se entrega à PF

Foragido pela quarta vez no ano, Neudo foi condenado a 10 anos e 8 meses de reclusão por envolvimento num esquema que desviava recursos provenientes de convênios da União em 2002, quando ele era governador - foto: Agência Câmara

Foragido pela quarta vez no ano, Neudo foi condenado a 10 anos e 8 meses de reclusão por envolvimento num esquema que desviava recursos provenientes de convênios da União em 2002, quando ele era governador – foto: Agência Câmara

Após cinco dias foragido, o ex-governador de Roraima Neudo Campos (PP) se entregou, nesta terça-feira (24), à Polícia Federal no Estado. Neudo é marido da atual governadora do Estado, Suely Campos (PP). Investigações da PF apontam que políticos e servidores públicos usaram “aparato estatal para proteção de um criminoso procurado pela Justiça”, diz nota da corporação sobre Neudo.

Além de dois PMs detidos na segunda, a PF prendeu outros dois policiais e uma secretária de Estado nesta terça. Seus nomes não foram divulgados. Eles ajudaram o ex-governador a tentar, de acordo com a PF, fugir para a Venezuela, país vizinho a Roraima.

Foragido pela quarta vez no ano, Neudo foi condenado a 10 anos e 8 meses de reclusão por envolvimento num esquema que desviava recursos provenientes de convênios da União em 2002, quando ele era governador. Estava foragido desta vez desde quinta (19).

Os presos foram encaminhados para o CPC (Comando de Policiamento da Capital da Polícia Militar de Roraima) e a secretária, à cadeia pública feminina de Boa Vista.

Continua foragida a mulher do senador Telmário Mota (PTB-RR), Suzete Macedo de Oliveira, que é ex-deputada estadual. Ela foi condenada a 6 anos e 8 meses de reclusão.

Todos foram condenados pelo envolvimento no esquema de desvio de verbas públicas conhecido como “escândalo dos gafanhotos”, que consistia no cadastramento de funcionários “fantasmas” na folha de pagamento do Estado, para distribuição dos salários a deputados estaduais e outras autoridades em troca de apoio político.

O pedido de prisão feito pela Procuradoria se baseia no novo entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a possibilidade de cumprimento da pena de prisão após decisão de segunda instância.

A defesa de Neudo foi procurada, mas não se manifestou sobre o assunto. A reportagem também procurou o governo Suely Campos sobre a prisão dos PMs e da secretária, mas não houve resposta.

Gafanhotos

Desarticulado em 26 de novembro de 2003 em Roraima, o esquema de corrupção desviou R$ 70 milhões, segundo as investigações. Consistia na contratação de mais de 6.000 funcionários fantasmas que repassavam seus salários para autoridades ou laranjas.

Eleita em 2014, Suely Campos assumiu o governo no ano seguinte e chegou a nomear ao menos 12 parentes. O próprio marido chegou a ser consultor especial, cargo criado especialmente para ele.

Por Folhapress

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