Dia a dia

Focos de dengue no AM preocupam a população

 

Nos dois primeiros meses de 2017 a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) notificou 697 casos da doença em Manaus – Fotos: Janailton Falcão

Nos dois primeiros meses de 2017, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) notificou 697 casos de dengue em Manaus. Desse total, 26 foram confirmados até o momento na capital. Em 2016, o órgão informou que foi notificado 220 casos. Os principais focos dessa doença estão em terrenos, casas e até galpões de entidades públicas que não recebem os devidos cuidados. Esses locais viraram cemitérios para sucatas, lixos, depósitos de água parada, o que se torna situação favorável para a formação dos focos do mosquito Aedes aegypti, responsável pela dengue, chikungunya e zika.

Preocupados com uma possível proliferação dessas doenças, moradores e comerciantes de uma região nobre da cidade denunciaram um terreno localizado no coração do conjunto Vieiralves, entre as ruas João Valério e Jutaí, que virou um cemitério de sucata de carros. O local, além de abrigar carcaças de veículos, está tomado pelo mato.

“O dono desse terreno só vem despejar esses carros velhos e vai embora. Nunca se preocupou em limpar e nem retirar a água parada. A prefeitura até passa na rua para fiscalizar e cumprir seu papel, mas fica limitada em realizar alguma ação nesse depósito, pois sempre está fechado e quando alguém abre só é no período da noite”, relatou uma empresária, que pediu para não ter o nome divulgado.

Um cemitério de carros em uma região nobre da cidade se transformou em um potencial foco de dengue

Não muito distante do cemitério de veículos, um local que era para ser exemplo de compromisso com as questões sociais, inclusive nas ações de combate ao Aedes, também virou criadouro do mosquito. Na avenida Belmiro Vianez, mais conhecida como alameda do Samba, no bairro Dom Pedro, Zona Oeste, onde estão instalados os barracões das escolas de samba, restos das alegorias dos anos anteriores, despejadas em áreas próximas ao sambódromo, favorecem o surgimento de larvas do Aedes aegypti.

Alguns representantes das agremiações explicaram que mesmo abandonados neste período, os carros recebem toda manutenção para que não acumulem água parada.

“As alegorias não ficam o ano inteiro nesse local. As ferragens são colocadas em janeiro e retiradas logo após o desfile. Como está chovendo muito, acumula, sim, água em algumas partes dos carros alegóricos, mas os próprios operários que confeccionam as alegorias retiram o líquido. Não achamos que isso seja uma ameaça constante de foco do mosquito”, alegou um artista, que preferiu ficar no anonimato.

Galpão de carros velhos

Desabitada há mais de um ano, uma casa no conjunto Ajuricaba é foco de dengue

No bairro da Paz, precisamente na rua 4, um galpão de um órgão estadual há anos vem servindo de depósito de carros velhos que estão sem utilidades para o Estado. Moradores que chegaram a denunciar essa situação para as secretarias responsáveis pelas fiscalizações garantem que nada foi feito até o momento.

“O mais impressionante nesse caso é que esse depósito de sucata fica praticamente ao lado de uma casa de saúde e mesmo assim nada é feito. É um contrassenso enorme. Eles realizam campanha de conscientização para a população, mas por outro lado não fazem a parte deles. Desse terreno sai mosquito, rato, cobra”, disse Mário Jorge Barbosa, morador do bairro da Paz.

Desabitada há quase 1 ano, uma residência situada na rua C9, do conjunto Ajuricaba, ainda guarda centenas de objetos que foram acumulados por décadas no pátio e na parte interna da casa, pela antiga moradora. Populares relataram que nunca foi permitido pela proprietária que órgãos públicos realizassem um serviço de limpeza no espaço, o que provocou a proliferação de mosquitos e outros bichos peçonhentos.

“Ela, mesmo tendo problemas mentais, sempre morou só. Devido a essa situação, nunca teve alguém para impedir esse acumulo de coisas velhas, de latas e armários. A Justiça determinou que a família a retirasse da residência e levasse para outro lugar. É um problema que enfrentamos há muito tempo”, contou a moradora Terezinha Silva, 70.

A Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) disse que os agentes de endemias estão em fase de conclusão do Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), que irá demonstrar entre outros indicadores os tipos de criadouros que estão prevalecendo em cada município que possui o vetor. Hoje, a lista de prioritários é composta por 41 cidades do Amazonas.

Gerson Freitas
EM TEMPO

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