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FMI tem responsabilidade ‘criminal’ por situação da Grécia, diz premiê

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, afirmou nesta terça-feira (16) que o FMI (Fundo Monetário Internacional) tem responsabilidade “criminal” pela situação econômica do país.

Num discurso a aliados no Parlamento, Tsipras disse que os credores querem “estrangular” e “humilhar” a Grécia na negociação para desbloquear a parcela de 7,2 bilhões de euros do pacote de socorro externo ao país e evitar um calote de 1,6 bilhão de euros no fim do mês.

Até agora, os líderes europeus não chegaram a um consenso com Atenas porque cobram medidas de austeridade consideradas inviáveis pelo governo de Tsipras, do partido de esquerda Syriza, eleito em janeiro sob o discurso de combate à política de corte de gastos.

Em seu discurso, o primeiro-ministro afirmou que foi eleito justamente para encerrar a política de austeridade adotada nos últimos cinco anos pelo governo anterior (centro-direita) em troca de um socorro de 240 bilhões de euros do FMI e do BCE (Banco Central Europeu). Mais cedo, num encontro com a oposição grega, ele reafirmou sua posição.

Uma reunião crucial ocorre nesta quinta-feira (18) entre os ministros de Finanças da zona do euro. A falta de um acordo neste encontro pode ser o passo decisivo para uma eventual saída da Grécia do grupo da moeda única. Um calote no FMI teria consequências imediatas na operação dos bancos gregos, sobretudo em relação a uma possível onda de saques por parte de poupadores.

Nesta terça, ao mesmo tempo em que Tsipras discursava, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmava que tem feito todos os esforços para encontrar uma solução. “Eu quero fazer o possível para manter a Grécia na zona do euro”, disse.

Em troca da liberação da verba, as lideranças europeias e o FMI cobram de Tsipras, entre outras coisas, corte em despesas da Previdência, além do aumento de impostos no setor elétrico. Na segunda-feira (15), o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Dragui, afirmou que o governo grego precisava “agir” para receber os recursos.

Os gregos disseram que não pretendem fazer nova proposta na reunião desta quinta-feira.

Nos últimos cinco anos, a Grécia recebeu um socorro o FMI e do BCE para evitar uma falência estatal. O país até indicou uma recuperação econômica no fim de 2014, mas o desemprego continua o mais alto da Europa, 25% e a dívida pública ronda os 175% do PIB (era de 129% em 2009) em um país cuja economia encolheu 25% nos últimos cinco anos.

Um calote grego pode ter impacto direto na zona do euro e em outros mercados. Na segunda, por exemplo, o principal índice de ações da Bolsa brasileira fechou em queda diante do impasse na Grécia. As Bolsas de Nova York recuaram.

 

Por Folha Press

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