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Fim de semana mais sangrento em Manaus completa um ano; acusados serão ouvidos a partir desta terça

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Morte de sargento em 2015 serviu de pano de fundo para que grupo de extermínio formado por PMs praticasse 23 mortes – foto : Janailton Falcão

Um ano se passou após o fim de semana mais violento em Manaus, no qual 37 pessoas foram assassinadas em diversas zonas geográficas da cidade, em apenas 60 horas. Os crimes ocorreram das 18h do dia 17 até as 6h do dia 20 de julho de 2015. Um grupo de extermínio formado por 18 polícias militares e três cidadãos civis foi apontado como autor de ao menos 23 dos assassinatos. Conforme o titular da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), Sérgio Fontes, das 37 mortes, 33 foram classificadas como homicídios, três latrocínios e um encontro de cadáver.

“Praticamente todos os homicídios foram solucionados e as investigações já foram encerradas. Os trabalhos de elucidação dos casos foram concluídos. Havia policiais militares envolvidos em algumas mortes, mas também havia pessoas ligadas ao tráfico de drogas”, observa.

A série de homicídios iniciou após a morte do sargento da Polícia Militar Afonso Camacho Dias, durante um assalto, no estacionamento da agência Bradesco, no Educandos, Zona Sul, no dia 17 de julho, após sacar dinheiro.

As investigações da SSP dão conta de que ao menos oito assassinatos foram motivados pela morte do militar. Outras mortes teriam ligação com o tráfico para roubar armas e drogas. Porém, alguns dos mortos não tinham ficha na polícia. Provas coletadas durante as investigações conduzidas pela Polícia Civil e promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), entre elas escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, reforçaram a suspeita da existência de um grupo de extermínio envolvendo policiais militares.

Exames de confrontos balísticos foram realizados nas armas dos suspeitos com os projéteis recolhidos nas cenas dos crimes e nos corpos das vítimas. O resultado mostrou a relação de policiais militares detidos na operação Alcateia em vários homicídios, praticados não só naquele fim de semana, mas também antes e depois da chacina.

“Algumas das mortes também foram decorrentes da disputa de organizações criminosas. Mas outras tinham indícios de que haviam sido feitas por uma ação orquestrada, ou seja, tinham ligação e interligação entre um fato e outro. Mas tudo foi solucionado e conseguimos chegar aos autores”, ressalta Fontes.

Do total de crimes na ocasião, três continuam sem solução e ainda estão sendo investigados pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). De acordo com o delegado titular da especializada, Ivo Martins, os crimes ainda não foram concluídos por falta de indícios.

Sem resposta

Um crime sem resposta. É assim que a família do ajudante de pedreiro Álvaro Gabriel Rodrigues se sente em relação ao assassinato do jovem, que na época tinha 20 anos, quando foi morto com quatro tiros, no dia 18 de julho, na rua Belo Horizonte, bairro Aleixo, Zona Centro-Sul. Álvaro foi uma das vítimas do fim de semana mais violenta da cidade. De acordo com sua família, o jovem não tinha passagem pela polícia e nem usava drogas.

“Até hoje não falaram nada do caso para a gente. O Álvaro era um menino bom, trabalhador e pai de família. Dias antes do crime, a empresa em que ele trabalhava havia oferecido a ele, por ser um bom profissional, um curso de mestre de obras. Ele deixou uma filha, que hoje tem 2 anos de idade, e a mãe dele ajuda a cuidar”, diz o padrasto da vítima, de 37 anos, que prefere não se identificar.

O estudante Erick Patrick Santos Oliveira, 18, também foi outra vítima do fim de semana violento. Ele foi morto com sete tiros, enquanto assistia a um arraial, na rua São Francisco Fernando, no Japiinlândia, Zona Sul, na madrugada do dia 19 de julho. A família do jovem também afirma que ele não tinha passagem pela polícia ou envolvimento com nada ilícito.

Um mês após a sua morte, a família se mudou para o município de Tefé. O pai do jovem, Lívio Santos de Oliveira, 37, diz que o sentimento é de que a Justiça só será feita por Deus.

 

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