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Fim da seleção permanente de futebol feminino divide opiniões

Canadá vence o Brasil por 2 a 1 na Arena Corinthians e fica com a medalha de bronze no futebol feminino dos Jogos Olímpicos - foto: Agência Brasil

Canadá vence o Brasil por 2 a 1 na Arena Corinthians e fica com a medalha de bronze no futebol feminino dos Jogos Olímpicos – foto: Agência Brasil

Criada em 2015 com o objetivo de melhorar o nível do futebol feminino para a disputa da Copa do Mundo no Canadá e da Olimpíada Rio 2016, a seleção permanente de futebol feminino vê seu futuro ameaçado com o fim dos dois eventos. Para quem acompanhava o futebol feminino, o fim da seleção permanente já era esperado, porém não é uma unanimidade e divide a opinião de torcedores, jogadores e jornalistas esportivos.

Por um lado, há quem defenda que a seleção feminina permanente não atingiu o objetivo esperado. Esta é a opinião de William Douglas, repórter esportivo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). “O problema é que este projeto não funcionou, apesar da concepção inicial parecer boa. Pedia-se entrosamento das jogadoras, mas na hora que se convoca são apenas quatro da seleção permanente, a gente não teve realmente uma seleção permanente”, diz.

Para Douglas, o futebol feminino precisa ter uma base mais complexa. “A solução passa muito mais por estruturar um campeonato, os clubes, ter calendário, [que as meninas] participem de competições fortes do que separar 15, 20 e tirá-las deste ritmo de competição”, defende.

Willian Douglas acredita que o futebol feminino deveria seguir outro caminho. “Precisa de um projeto longo, sério, tocado por quem conhece o futebol feminino. Acho que é hora de pensar inclusive em comissão técnica e dirigentes mulheres. A gente já tem gerações de jogadoras desde a década de 1990, então estas meninas têm que ter voz também para poder tomar as decisões no futebol feminino”, sustenta.

O outro lado

A antropóloga Ana Paula Silva, da Universidade Federal Fluminense, defende a manutenção da seleção permanente feminina e reclama das comparações entre as equipes feminina e masculina, uma vez que um dos argumentos de quem defende o fim dessa estratégia é que ela não existe para os homens. Para a especialista, é importante analisar o futebol feminino como algo independente do masculino. “São modalidades específicas, e assim devem ser tratadas. Apenas no futebol existe essa comparação. No vôlei, por exemplo, ninguém fica comparando seleção feminina e masculina. É entendido que são formas diferenciadas de jogo, com características outras que as fazem não serem passíveis de comparação”, avalia.

Seguindo esse raciocínio, Ana Paula diz que o fim da seleção feminina permanente não seria uma solução. “O desenvolvimento e a trajetória do futebol feminino é muito diferente da do masculino. Existem ligas, torneios, e os meninos são treinados desde a sua primeira infância para o futebol, coisa que não acontece com as mulheres. A seleção permanente é uma forma de manter um grupo de mulheres treinando e jogando. Os homens não precisam disso porque jogam praticamente o ano inteiro em seus respectivos times. Acabar com a seleção feminina é desprestigiar o futebol feminino que luta a duras penas, em um país que enxerga e prega a ideologia do futebol como ‘coisa de homem'”.

O apresentador do programa Stadium, da TV Brasil, e integrante do Conselho Federal de Educação Física, Wagner Gomes, também é contra o fim da seleção permanente. “O Brasil não tem campeonatos regionais fortes de futebol feminino, e as jogadoras que querem se manter na ativa têm que ficar fora do país. Seria bom ter ao menos alguma coisa que as faça treinar juntas, em um nível mais elevado e com estrutura. Os clubes não querem assumir o futebol feminino e colocar as jogadoras dentro da sua estrutura. A tendência é ficar pior”, alerta.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi procurada pela reportagem, porém não retornou até a publicação do texto.

Por Agência Brasil

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