Cultura

Filme de Domingos Oliveira sobre boêmia vence o Festival de Gramado

O longa “Barata Ribeiro, 716”, de Domingos Oliveira, levou o prêmio de melhor filme nacional na 44ª edição do Festival de Cinema de Gramado, encerrada neste sábado (3). A produção ficou ainda com outros três Kikitos: diretor, atriz coadjuvante (Glauce Guima) e trilha, também assinada por Oliveira.

No filme, o veterano Domingos Oliveira (“Todas as Mulheres no Mundo”) volta a incorrer em trama semiautobiográfica. Com Caio Blat, Sophie Charlotte e Maria Ribeiro no elenco, o diretor explora o universo da boêmia de Copacabana nos tempos pré-golpe de 1964, embalados por muito álcool.

Prestes a completar 80 anos e com dificuldades para falar, Oliveira pediu a Caio Blat que lesse uma breve mensagem de agradecimento. “Fiz um filme bastante original, embora não passe de uma crônica de bêbados”, dizia o texto. Por meio do ator, o diretor afirmou ainda que o “cinema é uma celebração” e exaltou o papel dos festivais como espaços de debate (“são lagos no deserto”).

A comédia “O Roubo da Taça”, de Caíto Ortiz, também levou quatro prêmios: melhor ator (Paulo Tiefenthaler), roteiro (Lucas Silvestre e Caíto Ortiz), fotografia (Ralph Strelow) e direção de arte (Fábio Goldfarb).

Além de Tiefenthaler (do programa “Larica Total”), o diretor escalou Taís Araújo para recuperar um dos episódios mais infames do esporte nacional: o roubo da taça Jules Rimet, da sede da CBF, nos anos 1980.

O prêmio de melhor atriz ficou com a favorita Andréia Horta, que interpretou a cantora Elis Regina na cinebiografia “Elis”.

Na competição internacional, o destaque foi “Guaraní”, de Luis Zorraquín, que ganhou os Kikitos de melhor filme, ator (Emilio Barreto) e roteiro (Luis Zorraquín e Simón Franco). O longa versa sobre a tentativa de preservação da cultura guarani.

Protestos

A cerimônia de premiação teve o mesmo clima de protesto visto na abertura do festival, na última sexta (25), que contou com gritos de “Fora, Temer”.

“Vamos tirar esse cupim da nossa casa”, afirmou o ator Paulo Tiefenthaler, em referência ao presidente Michel Temer.

A maior manifestação ocorreu quando o diretor Gui Campos subiu ao palco para receber o prêmio de melhor curta-metragem, por “Rosinha”. Foram exibidos cartazes com os dizeres “Diretas Já” e “Resistir Sempre”. “Nos posicionamos contra o golpe e a favor da democracia brasileira”, afirmou o cineasta.

Veja a lista completa de vencedores

Longas-metragens brasileiros

Melhor Filme: “Barata Ribeiro, 716”, de Domingos Oliveira

Melhor Direção: Domingos Oliveira (“Barata Ribeiro, 716”)

Melhor Atriz: Andréia Horta (“Elis”)

Melhor Ator: Paulo Tiefenthaler (“O Roubo da Taça”)

Melhor Atriz Coadjuvante: Glauce Guima (“Barata Ribeiro, 716”)

Melhor Ator Coadjuvante: Bruno Kott (“El Mate”)

Melhor Roteiro: Lucas Silvestre e Caíto Ortiz (“O Roubo da Taça”)

Melhor Fotografia: Ralph Strelow (“O Roubo da Taça”)

Melhor Montagem: Tiago Feliciano (“Elis”)

Melhor Trilha Musical: Domingos Oliveira (“Barata Ribeiro, 716”)

Melhor Direção de Arte: Fábio Goldfarb (“O Roubo da Taça”)

Melhor Desenho de Som: Daniel Turini, Fernando Henna, Armando Torres Jr. e Fernando Oliver (“O Silêncio do Céu”)

Melhor Filme – Júri Popular: “Elis”, de Hugo Prata

Melhor Filme – Júri da Crítica: “O Silêncio do Céu”, de Marco Dutra

Prêmio Especial do Júri: “O Silêncio do Céu”, pelo domínio da construção narrativa e da linguagem cinematográfica

Longas-metragens estrangeiros

Melhor Filme: “Guaraní”, de Luis Zorraquín

Melhor Direção: Fernando Lavanderos (“Sin Norte”)

Melhor Atriz: Verónica Perrotta (“Las Toninas Van al Este”)

Melhor Ator: Emilio Barreto (“Guaraní”)

Melhor Roteiro: Luis Zorraquín e Simón Franco (“Guaraní”)

Melhor Fotografia: Andrés Garcés (“Sin Norte”)

Melhor Filme – Júri Popular: “Esteros”, de Papu Curotto

Melhor Filme – Júri da Crítica: “Sin Norte”, de Fernando Lavanderos

Prêmio Especial do Júri: “Esteros”, pela direção delicada e inteligente da história de amor dos atores mirins.

Curtas-metragens brasileiros

Melhor Filme: “Rosinha”, de Gui Campos

Melhor Direção: Felipe Saleme (“Aqueles Cinco Segundos”)

Melhor Atriz: Luciana Paes (“Aqueles Cinco Segundos”)

Melhor Ator: Allan Souza Lima (“O Que Teria Acontecido ou Não Naquela Calma e Misteriosa Tarde de Domingo no Jardim Zoológico”)

Melhor Roteiro: Gui Campos (“Rosinha”)

Melhor Fotografia: Bruno Polidoro (“Horas”)

Melhor Montagem: André Francioli (“Memória da Pedra”)

Melhor Trilha Musical: Kito Siqueira (“Super Oldboy”)

Melhor Direção de Arte: Camila Vieira (“Deusa”)

Melhor Desenho de Som: Jeferson Mandú (“O Ex-Mágico”)

Melhor Filme – Júri Popular: “Super Oldboy”, de Eliane Coster

Melhor Filme – Júri da Crítica: “Lúcida”, de Fabio Rodrigo e Caroline Neves

Prêmio Especial do Júri: Elke Maravilha (“Super Oldboy”) e Maria Alice Vergueiro (“Rosinha”), pela contribuição artística de ambas

Prêmio Aquisição Canal Brasil: “Rosinha”, de Gui Campos

Por Folhapress

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