Cultura

Filme chileno trata de homofobia sob o viés do pai da vítima

O cantor chileno Alex Anwandter, ídolo pop local, recorda-se das longas cartas de um fã em especial, Daniel Zamudio. Em 27 de março de 2012, Daniel apareceu morto: o jovem gay de 24 anos foi torturado e espancado por quatro skinheads nas ruas de Santiago e não resistiu a um traumatismo craniano.

Foi influenciado pelo assassinato de seu fã que o roqueiro dirigiu seu primeiro longa, a ficção ‘Nunca Vas a Estar Solo’ (você nunca estará sozinho), com a qual saiu do último Festival de Berlim, em fevereiro deste ano, levando o prêmio do júri do Teddy, a honraria dedicada a obras de temática LGBT do evento.

Mas seu filme, que estreia no Brasil dentro da programação da Mostra de Cinema de São Paulo, destoa da típica produção sobre homofobia: o foco não é a vítima em si, mas o pai dela -sujeito que é assolado pela barbaridade.

“Cumpre dupla função”, explica o diretor de 33 anos à reportagem, num café da capital alemã. “Eu queria me afastar da sanguinolência e enfocar o cidadão comum, aquele que, como nós, assiste a tudo e até aceita essa violência.”

Anwandter diz que tomou uma série de liberdades: o assassinato de Daniel é mero mote. Na trama, a vítima se chama Pablo (Andrew Bargsted) e é sete anos mais novo: tem 18. “Quis abstrair da história particular dele como forma de dizer que isso é corriqueiro, que vai continuar.”

Juan (Sergio Hernández) é o pai de Pablo, gerente de fábrica de manequins, distante do filho. Quando o jovem entra em coma após ser espancado, Juan tem de ser ver com a apatia de quem o rodeia -funcionários do hospital, vizinhos, advogados- e repensar a forma displicente com que se esquivou de lidar com a sexualidade do filho.

“O Chile é um país em que homens não podem se dar as mãos com segurança em nenhum lugar”, diz o diretor. “A nação passa uma imagem de progresso, mas é atravessado pelo mesmo machismo e conservadorismo que cortam toda a América Latina.”

Por Folhapress

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