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Filhos que seguem a mesma carreira dos pais no esporte

Sérgio Duarte e Serginho fizeram parte do mesmo ambiente de trabalho, com o pai treinando o filho - foto: Diego Janatã

Sérgio Duarte e Serginho fizeram parte do mesmo ambiente de trabalho, com o pai treinando o filho – foto: Diego Janatã

Um dos conceitos mais populares é que os filhos devem superar os pais. O exemplo fraterno vem de berço e acaba sendo utilizado para motivar os filhos na busca por seus sonhos e objetivos. É possível observar que essa luta acontece em várias áreas e no esporte não poderia ser diferente.

No automobilismo brasileiro, por exemplo, o tricampeão da formula 1, Nelson Piquet, após fazer história na categoria, viu seu filho, Nelsinho, também seguir seus passos. Outra família que também marcou seu nome foi a Villeneuve. Neste caso, o filho foi maior que o pai. Em 1997, Jacques se sagrou campeão mundial de F1 e homenageou Gilles, que faleceu em 1982.

No futebol, existem bons exemplos também. O maior deles é do “Rei” do esporte bretão. Após se eternizar no futebol, Pelé viu seu filho, Edinho, fracassar na carreira de goleiro. Por outro lado, no Palmeiras, Ademir da Guia fez história e virou um dos principais ídolos dos “palestrinos”, honrando, assim, o nome da família que já tinha se “imortalizado” com seu pai, Domingos da Guia.

Na América do Sul, também há exemplos. Para os mais novos, os jogadores Forlán e Veron foram craques que representaram suas seleções, Uruguai e Argentina, respectivamente, com maestria. Fora isso, eles ainda passaram por clubes como Manchester United e Inter de Milão. Porém, para os mais antigos, esses nomes remetem aos ex-jogadores Pablo Forlán e Ramon Veron. O primeiro atuava no setor defensivo e marcou sua carreira por conquistas pelo Penãrol e São Paulo. Já o segundo foi o líder da melhor equipe do Estudiantes. Com a camisa da equipe argentina, La Bruxa venceu três Copas Libertadores na década de 1960.

O futebol amazonense não poderia ficar fora desta lista. Na década de 1980, o meia Sérgio Duarte escreveu seu nome na história do Nacional. Atuando com elegância, o jogador logo se transferiu para Portugal, onde defendeu as cores de equipes como Farense, Boa Vista e Vizela. Após se aposentar, Duarte virou treinador. Neste ano, comandou o Iranduba no Barezão 2015. Desde 2013, seu filho, Serginho, vem galgando espaço no futebol estadual. Revelado pelo Iranduba, o segundo volante mostrou qualidade e se transferiu para o Rio Negro para a disputa da segunda divisão. Nesta competição, pai e filho se encontraram no mesmo time e conseguiram recolocar o Galo da Praça da Saudade na Série A do Amazonense.

Serginho não esconde que tem como principal referência o seu pai. O jovem jogador afirma que tenta seguir o exemplo tanto dentro, quanto fora de campo.

“Sempre acompanhei meu pai nos jogos e admirava a postura dele dentro de campo. Ele é um espelho para mim por tudo que fez. Ele foi um ótimo jogador e é uma ótima pessoa. Tento me espelhar, porque é uma pessoa do bem que sempre tenta puxar os que estão em volta. Ele sabe cativar. É um ótimo pai e tenho muito orgulho disso”, afirmou o filho, que admite ter seu pai como maior ídolo no esporte.

“Treinava dentro de casa com ele. Sempre tentava absorver tudo que ele me passava, pois vendo ele jogar, acabei o tendo como ídolo. Ele jogou muito. Então, sempre tentei absorver ao máximo tudo que ele me passava para chegar bem no profissional”, revelou Serginho.

Atuando praticamente na mesma posição do pai, Serginho contou que em muitas partidas que joga acaba sendo cobrado pelos torcedores para que desempenhe o mesmo papel que seu pai desempenhava. Apesar disso, o jogador disse conseguir conviver com essa pressão sem problema.

“Ele fez o papel dele da melhor forma possível. Ganhou muita gente com o seu futebol. Fez história e, hoje em dia, cobram muito quando jogo por causa dele. Tem uma certa pressão. Até a torcida fica cobrando para que eu jogue como ele. Isso é difícil, mas um dia consigo chegar perto”, citou.

Pai coruja

Sempre sério na beira do gramado, Sérgio Duarte não consegue ser do mesmo jeito ao falar do filho. Duarte não esconde o orgulho ao ver Serginho se destacando no futebol amazonense. Para o pai, todo o sucesso de Serginho vem graças ao trabalho feito desde a base com o garoto.

“Para mim, é gratificante ver o Júnior há alguns anos desempenhando a função de profissional. Ele, desde garoto, demonstrou que tinha interesse em ser jogador de futebol e trabalhou para isso. Ele fez a base. Em Portugal, participou da escolhinha de alguns times em que joguei. Aqui, ele disputou alguns campeonatos juvenis e juniores até chegar no profissional. Levei ele para o Iranduba e depois para o Rio Negro. Ele se ambientou bem no profissionalismo. Foi para o Fast, onde treinou com o Aderbal, mas acho que realmente mostrou todo o seu potencial em 2014 na Série B pelo Rio Negro”, disse o pai.

Sabendo que o calendário no Estado no segundo semestre é difícil, Sérgio revela que sempre se preocupou em apoiar que seu filho continue estudando. Serginho concilia a profissão com a faculdade.

“Nunca impus muita coisa ao Júnior. Ele jogava futebol desde menino. Tudo fluiu normalmente. Ele sempre demonstrou interesse. A única coisa que fazia como pai era salientar que não poderia ser apenas futebol, teria que ter os estudos. Hoje, como muitos garotos da idade dele, está fazendo faculdade. Para mim, isso é muito bom. É uma mensagem positiva que ele passa para os outros jovens que estão buscando o caminho do futebol”, frisou Duarte.

Por Thiago Fernando

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