Dia a dia

Fiéis celebram Missa de Ramos em Manaus

Aproximadamente cinco mil pessoas celebraram o início da Semana Santa na cidade com três procissões realizadas ao longo do dia – Fotos: Márcio Melo

 

A comunidade católica de Manaus iniciou neste domingo, (9), mais uma Semana Santa com as tradicionais procissões do Domingo de Ramos, que levaram para as ruas do Centro da cidade, cerca de cinco mil pessoas. A celebração marca simbolicamente a entrada de Cristo na cidade Jerusalém. Durante os próximos sete dias, a igreja realizará uma programação especial que contará os passos de Jesus até a ressurreição.

Na catedral de Manaus, localizada no Centro, os fiéis que participaram das três caminhadas, realizadas ao longo do dia de ontem, receberam palhas de Ramos como símbolo de fé, para simbolizar o trajeto inicial de Jesus.

Para o padre auxiliar da matriz de Manaus, Vanthuy Neto, este é o momento anual de celebrar a morte e ressurreição do Senhor e de se imunizar contra a maldade do mundo. A centralidade da semana acontece a partir da quinta-feira e vai até o domingo de Páscoa, explica o pároco. Ele comenta que esse período tem duas grandes importâncias. Primeiro lembrar a morte de Cristo, no seu mistério de cruz, lembrando que todo cristão deve abraçar a sua cruz. E o segundo, é o encontro com as pessoas que no sofrimento estão ao lado para ajudar.

“Todos temos a nossa cruz. Jesus promete a cruz. Nessa semana somos vacinados contra esse modelo de mundo insensível. No encontro com o sofrimento de Jesus, ele se depara com pessoas solidarias a ele. Os cristãos são intimados a serem essas pessoas, para ajudarem o próximo que sofre. Todo sofrimento lembra a cruz”, disse.

O pároco não acredita no enfraquecimento da tradição, mas sim no seu anonimato devido ao aumento populacional. Ele explica que a sociedade ficou mais plural religiosamente. Além disso, outros fatores econômicos vêm influenciando na cultura da igreja.

“Cresceu um grande universo que não é católico, que não guarda essa memória. Uma cidade como Manaus de 2 milhões de pessoas se cria um anonimato. Muitas pessoas guardam a Semana Santa sem se manifestarem. Também tem uma questão introduzida pela sociedade que se chama feriadão, que vem fragilizando a Semana Santa. A população aproveita esse período para viajar, descansar, etc. Mas está no substrato do brasileiro, a experiência da fé”, concluiu o padre.

A comunidade católica, terá programação especial para a data pelos próximos sete dias

Tradição

Seguindo os passos do pai, a professora Wanda Barbosa, 59, não abre mão de todo ano participar da procissão de Ramos. Para ela, mesmo com toda a fragilidade da tradição de fé, é necessário que os fiéis não percam a esperança de um mundo mais humano. Wanda ressaltou que é fundamental a prática da caridade, do amor e do perdão, principalmente neste período de reflexão.

“Hoje a igreja já não é a mesma. As pessoas dão prioridades para outras coisas e esqueçam de exercer a sua fé. Meu pai sempre me ensinou a ser uma cristã fiel aos princípios da igreja, sendo orientada pela vontade de Deus e firme nos mandamentos de Cristo. Nunca deixo de caminhar no domingo de Ramos. Precisamos rezar e pedir paz para o mundo”, disse.

Para a doméstica Conceição Alves, 57, a Semana Santa é uma porta que Deus abre para que as pessoas reflitam sobre suas atitudes e sintam à vontade de perdoar e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, humana e honesta.

“Precisamos guardar esses sete dias em respeito a Jesus. Este é o momento de oração, de reconciliação com Deus, com o irmão, com a sociedade. Atualmente, é muito difícil ver as pessoas tirarem um minuto do seu tempo para falar com Deus. No meu caso é diferente. Vivo em constante oração e na Semana Santa intensifico a minha intimidade com o Pai para pedi proteção aos meus, ao mundo que hoje vive em desamor. O importante é sempre acreditar que dias melhores virão”, salientou.

Centralidade da data acontece a partir da quinta e segue até domingo

Solidariedade

Renovando nesta Semana Santa os gestos de Jesus, como forma de cumprimento dos seus mandamentos, um grupo da área missionaria da rodovia AM 010, em parceria com a Secretaria de Produção Rural do Amazonas (Sepror), exerceu a prática de dividir o pão e alimentar a fé do próximo.

Na manhã de ontem (9), após a celebração de Ramos, os evangelizadores distribuíram cerca de uma tonelada de pescado para 500 famílias carentes, de 12 comunidades, localizadas no quilômetro 25 da AM 010. Conforme o padre Jozinaldo Souza, este é a primeira vez que os missionários entregam o alimento para aqueles que não podem guardar o jejum de carne na Sexta-feira Santa, por motivos financeiros.

“Sempre realizamos esse tipo de ação na área missionaria, mas neste ano decidimos distribuir peixes na Semana Santa para ajudar as pessoas mais carente da Zona Rural, para que elas sejam protagonistas das suas próprias histórias. Nesse sentido trabalhamos dois aspectos, o solidário e o social. Isso é uma forma de ajuda-lo e incentiva-los a cultivar peixes e também de seguir o ritual da semana. Esse trabalho só foi possível com ajuda de várias pessoas, entre elas advogados, médicos, psicólogos e da Sepror”, relatou.

Gerson Freitas

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