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Festival Folclorico de Parintins aguarda definição de recursos

Reunião realizada ontem entre representantes dos bois Garantido e Caprichoso, e o governo do Estado, não resultou em definição - foto: Foto: Ione Moreno/Arquivo Em Tempo

Reunião realizada ontem entre representantes dos bois Garantido e Caprichoso, e o governo do Estado, não resultou em definição – foto: Foto: Ione Moreno/Arquivo Em Tempo

Faltando 43 dias para a realização do 51º Festival Folclórico, a cidade de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus) ainda aguarda definições relevantes para a formatação e realização do maior evento cultural do Estado e o principal produto da economia do município. Recursos para preparação da cidade para festa, segurança, sonorização do bumbódromo, além de verbas de patrocínio para Caprichoso e Garantido, ainda estão indefinidos por conta da crise econômica que atingiu o Amazonas. Sem tal estrutura a festa fica comprometida.

Nesta terça-feira, o governo do Estado realizou mais uma rodada de conversa com representantes dos bumbás, em busca de uma solução para o problema. De acordo com o vice-presidente do Garantido, Fábio Cardoso, foi definido que o governo do Estado irá articular patrocínio de empresas do setor privado para garantir os recursos que o evento exige para sua realização.

“O presidente Adelson (Albuquerque) nos repassou que nada está definido por conta dessa articulação fora do Estado em busca de novos patrocinadores que possam dar suporte para o festival folclórico como um todo não apenas para os bumbás”, informou. Ele salientou que na próxima semana deverá haver uma nova reunião quando então será batido o martelo em torno dos recursos para o evento.

Entretanto, tal indefinição se reflete nos galpões dos bumbás, onde os trabalhos de confecção de alegorias estão em um ritmo bem diferente de anos anteriores. “Como não sabemos que dinheiro vamos dispor para trabalhar não podemos avançar muito”, disse o artista Juarez Lima, do bumbá Caprichoso.

“Se o festival acabar eu morro”

Enquanto isso em Parintins, a Câmara Municipal, por meio do vereador Juliano Santana (PDT), atendendo solicitação dos artistas do Caprichoso, liderados por Juarez Lima, realizou na manhã de ontem uma audiência pública para discutir alternativas que evitem o comprometimento da festa.

A audiência durou aproximadamente quatro horas e contou com poucos participantes. Representantes de segmentos importantes como hotelaria, restaurantes, agências de viagens entre outros, não estiveram presentes na audiência.

Depois de muita discussão, os participantes aprovaram como medida de economia o cancelamento da “Festa dos Visitantes”, que é realizada às vésperas de iniciar a disputa dos bumbás.

“Vamos economizar mais de R$ 1 milhão que é gasto só na contratação de artistas nacionais, palco, som e outros componentes da logística”, disse o vereador Mateus Assayag (PR).

O depoimento mais emocionante da audiência foi feito pelo artista Jair Mendes, 73 anos, dos quais mais de 60, envolvidos com os bumbás, que declarou que ‘se o festival morrer, ele morre junto com o evento’.  “Nós, parintinenses, vivemos em função da arte, esse é o nosso patrimônio maior”, desabafou.

O representante do boi azul e branco, Elias Michiles, diretor-administrativo do bumbá, foi duro nas suas colocações. “Existe sim o risco iminente de terminar o festival. Temos R$ 1 milhão em folha para pagar e nós não temos um centavo”, afirmou.

Para Fábio Cardoso, não há a menor hipótese de ocorrer a redução nas três noites de festival. “Se isso acontecer vamos mutilar a festa”.

A representante da secretaria municipal de Cultura, Sandra Vasconcelos, propôs que a festa retorne ao comando da prefeitura de Parintins. “Está na hora do município resgatar a autonomia do seu festival”.

Segundo ela, o secretário de Estado de Cultura, Robério Braga, em momento algum acenou com a possibilidade de reduzir as três noites do evento. “Isso é coisa de redes sociais”, declarou.

 

Por Tadeu de Souza

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