Cultura

Festival apresenta ópera inédita ‘Médée’ no Teatro Amazonas

A ópera conta a história de Medéia, esposa de Jasão, comandante dos Argonautas, anos depois da famosa expedição do Velocino de Ouro, relatada em A Argonautica, de Apolônio de Rodes - foto: Diego Janatã

A ópera conta a história de Medéia, esposa de Jasão, comandante dos Argonautas, anos depois da famosa expedição do Velocino de Ouro, relatada em A Argonautica, de Apolônio de Rodes – foto: Diego Janatã

Vingança, traição, ódio e dor, dignas de uma verdadeira tragédia grega, subirão ao palco do Teatro Amazonas no mês de maio. Como parte das programações do 19º Festival Amazonas de Ópera, a primeira obra a ser apresentada será “Médée”, de autoria do italiano Luigi Cherubini e livreto do francês François Benoît-Hoffmann.

A ópera conta a história de Medéia, esposa de Jasão, comandante dos Argonautas, anos depois da famosa expedição do Velocino de Ouro, relatada em A Argonautica, de Apolônio de Rodes. Na história escrita por Eurípedes e musicada por Cherubini, Medéia fica furiosa após a decisão de Jasão deixá-la para se casar com Glauce, filha do rei Creonte de Corinto. Para causar dor a Jasão, Medéia decide matar Glauce, Creonte, e ainda os seus dois filhos com Jasão.

Apresentada pela primeira vez há mais de 200 anos, em 13 de março de 1797, no Teatro Feydeau, em Paris, a versão original e integral em francês será executada no Teatro Amazonas amanhã (20h), com récitas dias 6 e 8 de maio (ambos às 19h). A montagem traz os talentos do Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas, Coral do Amazonas e Orquestra Amazonas Filarmônica, contando com os solos de Isabelle Sabrié, Enrique Bravo, Gianluca Lentini, Dhijana Nobre, Luisa Francesconi, Carol Martins, Thalita Azevedo, Rafael Lima, e as crianças Valentina Andrade e Kayo Duarte, sob a regência de Marcelo de Jesus.

A parte técnica tem assinaturas na direção cênica de André Heller-Lopes, construção de cenários por Marcos Apolo Muniz, direção de figurinos de Fábio Namatame e direção de iluminação de Fábio Retti, com coreografia de Monique Andrade.

O diretor artístico do 19º Festival Amazonas de Ópera, maestro Luiz Fernando Malheiro, salienta que a apresentação de Médée no festival foi escolhida justamente pelo seu nível técnico. “Pouquíssimas sopranos conseguiram interpretar o papel principal, como Maria Callas. Quando escolhemos essa ópera para ser a primeira do Festival, abraçamos o desafio e tenho certeza que vamos conseguir executá-la com perfeição”, declara.

Preparação

Na execução de cada peça apresentada, a proposta do Festival é mostrar a obra sempre na versão original. Com esta obra, não será diferente. A apresentação de Médée misturará a versão francesa, original e sem cortes; e a versão italiana, com os recitativos traduzidos para o francês e cantados.

“Nós pedimos à Isabelle Sabrié, que fará o papel de Médée, que fizesse a tradução dos recitativos do italiano para o francês. Será a primeira vez no Brasil que as duas versões estarão unidas, e teremos o prazer de fazer isso. Vai ser a versão Manaus”, declara o maestro Marcelo de Jesus, que executará a regência da obra.

“A dificuldade de Médée é pelo seu caráter. Não é uma obra romântica, mas também não é uma obra clássica. Existem vezes em que ela mesma toma outro caminho que não tem nada a ver com o Classicismo ou o Romantismo. Essa transição é muito difícil de se fazer. Pode se tornar algo chato, e é preciso tomar cuidado com a forma de execução. Só se encontra o caráter dessa obra a partir do seu libreto”, afirma o regente.

Outra intenção de Médée, segundo o maestro Marcelo de Jesus, é trazer a ópera de modo que a população possa entender e fazer uma reflexão própria. “Não será apenas deixar uma estátua grega imóvel, cantando, sem que o público entenda a construção da obra. A intenção é trazer uma reflexão sobre a sua própria moral, ética e valores”, ressalta.

Vozes

A preparação vocal do Coral do Amazonas foi dividida entre os maestros Zacarias Fernandes e Hermes Coelho, respectivamente, regente titular e regente assistente do Coral. “Naturalmente, há uma dificuldade com o texto, uma vez que o texto em francês não é muito comum. Estamos mais habituados a um repertório italiano, e mesmo de compositores de outras nacionalidades, mas com o texto em italiano, a língua oficial da ópera”, conta Zacarias.

Para Fernandes, toda e qualquer ópera que se prepara tem a dificuldade da maturação da peça. “No primeiro contato que se tem com a ópera, você entende a ideia e tenta vivenciá-la, como um ator que tem o contato com a sua personagem. Aparentemente, ficamos pensando se vamos conseguir. Sabemos que vamos, mas num primeiro momento, fica a dúvida do desafio, até que a obra faça parte da gente”, ressalta. “Mesmo com todas as óperas que nós temos de repertório, todas muito conhecidas do público, tudo é novidade. É de nosso interesse mostrar para o público obras consagradas internacionalmente e pouco conhecidas no país”, finaliza o regente do coro.

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