Cultura

Festival Amazonas de Ópera completa duas décadas

Roger Waters, ex-baixista da banda Pink Floyd, escreveu a ópera “Ça Ira – Há Esperança” que fez história no festival – Divulgação

Mesmo sendo a primeira edição a ser realizada inteiramente com recursos da iniciativa privada, a vigésima edição do Festival Amazonas de Ópera promete ser uma das mais criativas segundo o maestro Marcelo de Jesus, “O interessante é que com a crise aparecem as soluções criativas, aí que é mostrado trabalho e os corpos artísticos são priorizados, estes que são parte integrante da máquina cultural do Estado, e são fundamentais para festival”. As apresentações começam dia 7 de maio, às 19h, no Teatro Amazonas.

Para o secretário de Estado de Cultura Robério Braga, se não existisse o patrocínio privado, não seria possível realizar o festival. “Se eu tivesse maior patrocínio, faria o evento ao ar livre, por exemplo, mas o custo é alto. Ainda assim estou altamente satisfeito. É o primeiro festival feito com iniciativa totalmente privada”.

Ainda de acordo com o secretário, esse é um esforço grande, mas é resultado da tradição. “Temos uma tradição de eventos muito bem organizada e de alta qualidade, reconhecida internacionalmente. De geração de renda para o nosso povo. Fomos em busca desses patrocínios: Bradesco, Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) e da Ambev, trazendo ainda a parceria com o Theatro São Pedro, de São Paulo. O governo faz investimento na política cultural há mais de 20 anos”.

Um espetáculo, concebido especialmente para a criançada, é uma das novidades deste ano. A apresentação da ópera “Onde Vivem os Monstros”, de Oliver Knussen, com produção do Theatro São Pedro, será nos dias 27 e 28 de maio e 3 e 4 de junho, com direção musical e regência assinadas pelo maestro Marcelo de Jesus, regente adjunto da Amazonas Filarmônica, e pelo maestro Pedro Messias, do Theatro São Pedro. “Criança não tem preconceito com música. Criar novos ouvidos e novo público é um dos objetivos do festival, por isso, incentivar as crianças com esse espetáculo que já é conhecido pelo livro ou pelo filme. A montagem interage com as crianças, são cinco monstros gigantes no palco, isso marca e abre o interesse para o futuro amante de ópera”.

Robério declarou que é o primeiro festival feito com pela iniciativa privada – Divulgação

A abertura oficial será com o Concerto Bradesco I, comemorando aos 20 anos do FAO. Sob a regência e direção musical de Luiz Fernando Malheiro, diretor artístico do evento, a Amazonas Filarmônica e o Coral do Amazonas, com a participação do tenor Thiago Arancam e da soprano Dhijana Nobre, apresentam trechos de óperas já encenadas no Festival Amazonas de Ópera, como “O Guarani” e “Tosca”, de Carlos Gomes; “Sansão e Dalila”, de Camille Saint-Saëns; “Cavalleria Rusticana”, de Pietro Mascagni; e “Turandot”, de Giacomo Puccini.

O concerto também traz peças mundialmente aclamadas, como “Granada”, de Agustín Lara; “El Día Que Me Quieras”, de Carlos Gardel; “My Way”, de Jacques Revaux e Paul Anka, eternizada na voz de Frank Sinatra; e “All I Ask Of You”, do musical “O Fantasma da Ópera”, de Andrew Lloyd Webber.

Um dos pontos altos do FAO será a montagem da ópera “Tannhäuser”, de Richard Wagner, que será apresentada nos dias 14, 17 e 20 de maio. A ópera em três atos contará com a participação da Amazonas Filarmônica, do Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas, do Grupo Vocal do Coral do Amazonas e do Coral do Amazonas, e traz entre seus principais solistas os tenores Juremir Vieira e Enrique Bravo, os barítonos Homero Velho e Arthur Canguçu, a soprano Daniella Carvalho e o
sopranista Bruno de Sá.

O festival ainda contará com os Recitais Ambev, com apresentações de artistas da casa, como Amanda Aparício, Hugo Pinheiro, Giovanny Conte, Margarita Chtereva, Hilo Carriel, e convidados especiais, como Homero Velho, Pedro Panilha, Isabelle Sabrié e Daniella Carvalho. O FAO ainda recebe dois recitais especiais, com os alunos de canto dos professores Juremir Vieira e Natalia Sakouro.

Acessibilidade

Dia 8 de maio, haverá a palestra sobre os 20 anos do Festival Amazonas de Ópera, dirigida pelo secretário de Estado de Cultura, Robério Braga, no Centro Cultural Palácio da Justiça. O Palácio também recebe dois workshops: “A Voz na Canção Erudita”, com Homero Velho e Pedro Panilha, no dia 11 de maio; e “Técnica Vocal – Ópera e Musicais”, com Luísa Francesconi e Pedro Panilha, no dia 17 de maio. A central técnica de produção “Marcos Apolo Muniz” também recebe o workshop “Cenografia e Figurinos”, dentro da programação acadêmica, no dia 24 de maio. O evento será conduzido pela cenógrafa Giorgia Massetani, que assina, no Festival Amazonas de Ópera, a direção cênica de “Onde Vivem os Monstros” e “Tannhäuser”.

A programação acadêmica deste ano está acessível sob demanda para pessoas com deficiência, de acordo com Layla Lopes, assessora de Acessibilidade e da Inclusão Social da Pessoa com Deficiência. “Quando a pessoa se inscreve, ela já vai dizer se tem alguma deficiência e a partir daí vamos enviar no dia do workshop um profissional para acompanhar e ajudar, por exemplo, no caso de uma pessoa surda, haverá um intérprete de Libras”.

Parceria com a UEA

Sucesso na edição de 2016 do Festival Amazonas de Ópera, o projeto Ópera Studio, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), retorna mais uma vez ao FAO. A ópera deste ano é “Don Pasquale”, de Gaetano Donizetti, e traz como solistas alunos dos cursos de música da universidade. A direção é dos professores Fabiano Cardoso, Duany Parpinelli e João Fernandes, e a música, ao piano, é da professora Irina Kazak.

Ingressos

Os ingressos para o 20° Festival Amazonas de Ópera, que já podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Amazonas e no site www.bestseat.com.br, estão com preços bem acessíveis em relação aos últimos festivais, com apresentações gratuitas e pagas, com valores que variam entre R$ 2,50 (meia-entrada), e R$ 60 (inteira).

Bruna Chagas
EM TEMPO

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