Dia a dia

Fé e tradição: dona de casa distribui bombons e comida em homenagem a São Cosme e Damião no Aparecida

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No período da tarde, D. Rai distribui bombons para as crianças e, à noite, oferece comida pelo bairro de Aparecida – foto: Diego Janatã

Uma graça alcançada por meio de uma promessa há mais de quatro décadas é a principal motivação para a dona Raimunda Monteiro Matos, 89, para proporcionar alegria à centenas de crianças no dia dedicado a São Cosme e Damião. Ela afirma que essa tradição vem fortalecendo a sua devoção aos santos, que retribui a fidelidade da fé, com bênçãos.

Durante uma manhã corrida para finalizar a ceia dos adultos e todas as sacolinhas de bombons que seriam distribuídos às crianças na tarde desta terça-feira (27), dia em que são celebrados os santos, ‘dona Rai’, como é conhecida carinhosamente pelos moradores do bairro Aparecida, Zona Sul, disse que o pagamento da promessa teve início há 44 anos.

Hoje, ela afirma que a tradição se tornou algo muito além de um simples pagamento de promessa. Para a dona de casa, distribuir bombons no dia 27 de setembro e oferecer comida no período da noite para a comunidade virou um gesto de amor. Com orgulho, dona Raimunda disse ainda que até no casamento do neto distribuiu como lembranças bombons em homenagem aos santos.

“Eu sempre fui muito católica. Um certo dia, quando ainda morava em Belém, uma senhora chegou comigo e disse que era dia de São Cosme e Damião, me convidou para festa e disse que eu tinha um compromisso com as crianças. Na mesma hora eu aceitei. Depois disso passei por uma provação, pedi ajuda dos santos e fui atendida. Quando alcancei essa graça comecei a distribuir doces e nunca mais parei. Hoje me sinto feliz vendo as pessoas felizes. São Cosme e Damião me dão tudo, mais tudo o que você pode imaginar. Não sou rica, mas não falta nada na minha casa. Sempre que eu preciso, eles me ajudam”, destacou.

Tradição

Segundo alguns historiadores, a oferta de doces para crianças pode ser entendida como uma forma de sacrifício à divindades e, no Brasil, remonta a 1530, quando foi construída a primeira igreja em homenagem aos santos. Essa tradição foi trazida pelos colonizadores portugueses.

Os gêmeos árabes Cosme e Damião eram filhos de uma nobre família de cristãos. Nasceram por volta do ano 260 d.C., na região da Arábia e viveram na Ásia Menor, no Oriente. Desde muito jovens, ambos manifestaram um enorme talento para a medicina, profissão a qual se dedicaram após estudarem e diplomarem-se na Síria.

Por pregarem o cristianismo, Cosme e Damião foram presos, levados ao tribunal e acusados de se entregarem à prática de feitiçarias e de usar meios diabólicos para disfarçar as curas que realizavam. Ao serem questionados quanto as suas atividades, eles responderam: “Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo, pela força do Seu poder”. Morreram por volta do ano 300 d.C. degolados, vítimas de uma perseguição do imperador romano Deocleciano.

Por Gerson Freitas

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