Política

Farmacêutica Ednilza Guedes fala sobre as conquistas à frente da presidência do CRF-AM

Farmacêutica diz que sua aceitação está sendo positiva nesses dois mandatos e as críticas têm sido construtivas – fotos: Márcio Melo

Terceira mulher a compor a presidência do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Amazonas (CRF-AM), a farmacêutica Ednilza Guedes, que está em seu segundo mandato, fala sobre as conquistas à frente da instituição e dos projetos elaborados, que podem viabilizar, por exemplo, a prescrição médica de Mips (medicamentos isentos de prescrição) por farmacêuticos e das ações contínuas para oferecer esclarecimentos sobre saúde pública à população.

EM TEMPO- Ao ser eleita pelo voto direto para a presidência do Conselho Regional de Farmácia pela primeira vez, em 2014, quais as medidas administrativas tomadas para organizar a instituição?

Ednilza Guedes – Na minha primeira eleição, obtive aproximadamente 500 votos e para reeleição, tive o dobro de votos, cerca de mil. E, logo que cheguei ao conselho organizamos todos os processos administrativos. A instituição funcionava somente meio período e agora nós temos colaboradores trabalhando pelos períodos da manhã, tarde, noite e em plantões. Também dei continuidade ao projeto “Farmacêuticos em Ação”, iniciativa criada por mim, antes de ser presidente, e que possibilita que os profissionais levem orientações sobre saúde e mostrem junto à comunidade.

EM TEMPO – Quais serão as próximas campanhas lideradas pelo Conselho Regional de Farmácia no Amazonas?

Ednilza Guedes está em seu segundo mandato

EG – A próxima campanha iniciará no dia 5 de maio e vai orientar as pessoas sobre os perigos da automedicação. Com o tema “Uso racional de medicamentos”, a iniciativa acontecerá em projeção estadual para alertar a população para os malefícios de ingerir sem prescrição médica, medicamentos como analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares e remédios para disfunção erétil. Tomar medicamentos sem orientação torna o corpo resistente à medicação. Os Mips são os medicamentos mais procurados pois não precisam de receitas, mas o farmacêutico tem por obrigação acompanhar os critérios de uso desse medicamento, quando consultado em uma farmácia. Nossa última campanha foi um sucesso, iniciada no período pré-Carnaval, a partir do dia 22 de janeiro e finalizamos em fevereiro. Distribuímos preservativos, panfletos, fizemos testes rápidos de HIV, hepatite B e C e obtivemos resultados positivos.

EM TEMPO – Quais são as funções dos farmacêuticos em drogarias?

EG – Os farmacêuticos podem orientar sobre o uso de medicamento e fazer questionamentos sobre incômodos e orientá-lo sobre a procura de um especialista para fazer um rastreamento da doença. Há alguns anos, os antibióticos eram vendidos amplamente e era comum verificar, por exemplo, que alguém com dor de garganta se automedicava com Amoxicilina, sendo que o uso indiscriminado dessa substância cria uma resistência no tratamento e isso é uma questão que já é discutida em nível nacional. Não se trata apenas de alerta a população para não consumir esses medicamentos sem prescrição médica, mas atinge também a fiscalização de medicamentos falsificados, porque é fácil encontrar remédios em mercados e com ambulantes. Não há garantia de que esses medicamentos comercializados na rua não sejam adulterados.

EM TEMPO – Além do apoio às iniciativas nacionais, como o conselho auxilia os novos farmacêuticos a entrar no mercado de trabalho e escolher dentre as 72 especialidades que existem no curso?

EG – Fazemos um trabalho de aproximação contínua com os estudantes de farmácia de todas as faculdades, por meio de palestras e trabalhos extracurriculares, para que esses universitários sejam orientados sobre qual especialidade escolher. Realizamos um cronograma trimestral de seminários educativos com cursos e sem custo adicional nenhum.

EM TEMPO – Mesmo com a obrigatoriedade por lei da presença de farmacêutico nas farmácias e drogarias, ainda é possível notar a ausência desses profissionais em alguns estabelecimentos? Como a população deve proceder ao verificar essa irregularidade?

EG – A população pode usar os canais do Conselho Regional de Farmácia para denunciar essas irregularidades, seja por meio do Facebook, telefone ou e-mail. Com base na lei, o farmacêutico tem que permanecer durante todo o período de funcionamento do estabelecimento. Com a lei 13.021/2014, os farmacêuticos devem atuar dentro de próprios consultórios nas farmácias, já que a determinação envolve um conjunto de ações e de serviços que visem a assegurar a assistência terapêutica integral e a promoção e a recuperação da saúde nos estabelecimentos públicos e privados que desempenhem atividades farmacêuticas.

Ednilza é a terceira mulher a compor a presidência do CRF-AM

EM TEMPO – Estar em um cargo de responsabilidade e de visibilidade gera críticas. Como tem sido lidar com comentários negativos?

EG -Minha aceitação está sendo muito boa nesses dois mandatos. Tenho recebido críticas construtivas e as aceito, porque quando se está em um cargo público, a sua vida torna-se pública. Possuo três páginas na internet, mas não por vaidade, mas por ter interesse em levar informações sobre a saúde para as pessoas, compartilho minha experiência com minha filha, que sofre de diabetes e mostro como superei certas dificuldades. Hoje, eu tenho pessoas que seguem minha trajetória e que buscam saber o que eu estou fazendo e muitas seguem o meu exemplo. Acredito que para haver uma aproximação corpo a corpo, não adianta ficar atrás de uma cadeira despachando papel. Minha função tornou meu contato de celular, em um número público, um canal que atendo as pessoas e mando mensagens sempre que posso para atender em suas necessidades.

EM TEMPO – Por ser mulher e estar em cargo de gestão, houve preconceito?

EG – O fato da mulher lidar com várias tarefas administrativas em casa faz com que ela domine melhor gestões em que precise atuar em diferentes ações. À frente do conselho tenho que administrar minha vida particular, fazer palestras, viagens e cumprir uma agenda obrigatória junto à instituição. Fico feliz de ser mulher e aceitar o desafio de estar à frente da instituição. Dentro do Conselho Federal e Regional estou há 11 anos. Como conselheira regional atuei por 4 anos e como suplente de conselheira federal por 3 anos e, agora, mais 4 anos como conselheira regional novamente e dois mandatos de presidente, que começou em 2014 e termina neste ano. Hoje, quando se fala em eleição, as pessoas perguntam logo se irei ser candidata (a cargo político), mas adianto que ainda é muito cedo para falar sobre esse assunto, estamos estudando o tema. Além disso, temos de pensar o que é bom para a categoria.

EM TEMPO – Como especialista em administração hospitalar e serviços de saúde e citologia clínica, como avalia a questão da saúde básica no Amazonas?

EG – A saúde básica no Estado ainda é carente de informações e de projetos para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Quando se dá atenção aos cuidados básicos, a população tem a oportunidade de ter uma mente saudável e que não chegue à situação de saúde complexa. E, para contribuir com esta melhoria, o projeto “Farmacêuticos em Ação”, promovido por voluntário e estudantes precisa de continuidade nas próximas gestões.

 

Fabiane Morais

EM TEMPO

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