Dia a dia

Famílias vivem em calçadas no Centro de Manaus

No início de 2016, a Semasdh estimava existir mais de 760 moradores de rua na capital - foto: Diego Janatã

No início de 2016, a Semasdh estimava existir mais de 760 moradores de rua na capital – foto: Diego Janatã

Há aproximadamente 1 ano, diversas famílias vivem em barracas improvisadas ao longo das calçadas da avenida Manaus Moderna, no Centro. Por diferentes motivos, pessoas de idades distintas acabam nas ruas e têm como abrigo, o logradouro público, improvisado com papelão ou caixas de paletes. No início deste ano, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) estimava existir mais de 760 moradores de rua na capital. Desse total, aproximadamente, 70% são homens, imigrantes e os principais motivos pelo quais foram parar nas ruas são problemas no convívio familiar e o uso de álcool e drogas. O Departamento de Proteção Social Especial (DPSE) da secretaria, ainda está realizando um levantamento para detectar dados atualizados de quantas pessoas em situação de rua enfrentam essa realidade atualmente.

Há pelo menos seis meses, a vendedora de verduras Maria Elias Pereira, 44, a filha Caroline Pereira da Silva, 16 e o marido de 46, moram em uma barraca improvisada de caixas de paletes. No ‘imóvel’ improvisado, apenas um colchão velho e alguns objetos pessoais da família ficam guardados. A vendedora de verduras afirmou que nunca teve casa própria e conseguir um emprego de carteira assinada na idade em que se encontra está difícil. Diariamente ganha pouco mais de R$50, com a venda dos legumes e desse valor paga um aluguel diário para a filha, no valor de R$ 20.

“Aqui onde eu moro com meu esposo é muito pequeno e minha filha é uma mocinha, então por medo de alguém mexer com ela eu pago todos os dias um aluguel para ela dormir tranquilamente. Ela dorme aqui pertinho, mas é bem seguro. O valor é R$20, então com o dinheiro que ganho vendendo verduras tenho que me virar”, disse.

Maria Elias disse não lembrar como virou moradora de rua, mas tem apenas uma certeza na vida, que se pudesse ter um lar digno, deixaria de morar na calçada da Manaus Moderna. “Nunca nenhum órgão desses veio aqui fazer cadastro com a minha família ou oferecer ajuda. Se eu ganhasse uma casa digna, com certeza eu não estava mais aqui com minha família”, desabafou.

“O abrigo improvisado é a única alternativa de moradia no momento”, afirmou Maria Amaro, 50, que mora sozinha no local. Segundo ela, o espaço não é só para morar, mas para ganhar dinheiro para se sustentar. “Eu nasci em Manaus, mas não tenho família porque fui abandonada pela minha única filha. Não tenho contato com ela. Passo a maior parte do tempo dentro deste espaço improvisado e gostaria de poder ter um lugar bom para morar”, comentou.

Um flanelinha de 42 anos, que preferiu não se identificar, também disse viver há anos trabalhando e morando nas calçadas da Manaus Moderna. Com o dinheiro que ganha, compra comida, objetos de limpeza pessoal e as vezes paga aluguel para dormir com mais conforto em algum kitnet da área.

Projeto deve atender moradores

Atuando desde 2015 com moradores de rua, o projeto ‘Consultório de Rua’, da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), de acordo com o coordenador, Jailson Barbosa, pode vir a atender as famílias que se encontram em situação de risco social na Manaus Moderna. Segundo ele, o projeto inicialmente estabeleceu como territórios a praça dos Remédios, a ponte da rua 7 de Setembro e a ponte do bairro Educandos, nos quais são assistidas, aproximadamente, 80 pessoas, e vem estudando as próximas áreas de atendimento itinerante, e que a Manaus Moderna deverá ser inclusa.

“Temos dados de moradores de rua na cidade inteira, esse consultório itinerante vai atuar justamente nas áreas de maior concentração de moradores da cidade, que são as áreas Sul e Centro-Sul. Mas também estamos buscando levar os serviços para vários pontos da cidade e quanto mais ganhamos experiência com esse atendimento, maior é a expectativa de crescer e ampliar o consultório de rua”, afirmou.

O projeto conta com uma equipe de seis profissionais, com uma base fixa na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Morro da Liberdade, na Zona Sul. Semanalmente, no horário das 12h às 18h, ou eventualmente à noite, realiza duas incursões nos territórios e duas visitas a instituições que já realizam atividades com os moradores de rua.

Por Michelle Freitas

 

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