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Famílias retiradas do terreno que invadiram no bairro Tarumã contam como estão enfrentando a situação

Elisa, personagem da edição do último sábado, está abrigada na casa de um filho com mais de oito pessoas – foto: Ricardo Oliveira

Elisa, personagem da edição do último sábado, está abrigada na casa de um filho com mais de oito pessoas – foto: Ricardo Oliveira

Pouco mais de uma semana após a Polícia Militar (PM) cumprir o mandado de demolição e retirada de edificações na comunidade Cidade das Luzes, localizada no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, muitos moradores estão vivendo em condições sub-humanas, em locais insalubres.

A ação, que teve início na manhã da sexta-feira (11), por volta das 6h, gerou conflito entre a polícia e os mais de 5 mil moradores. Atualmente, um grupo de, aproximadamente, 35 famílias está vivendo em abrigos cedidos.

Personagem da edição de manchete do jornal EM TEMPO do sábado (12), a autônoma Elisa Ferreira, 52, explicou detalhes da situação em que está enfrentando. Ela divide uma casa de apenas dois cômodos, no bairro São Jorge, Zona Oeste, com mais oito pessoas entre filhos e esposo, e disse que não consegue mais descansar como antes.

“Antes, na comunidade, meus filhos podiam brincar à vontade e isso me deixava tranquila, aqui onde eu estou morando é bom, mas é emprestado do meu filho. Quem mora aqui é o meu filho mais velho, e é impossível eu ficar aqui por muito tempo. Lá, meus filhos podiam correr e nós vivíamos bem, éramos uma comunidade alegre, precisamos voltar a ser como antes”, esclareceu.

Apesar de todo o problema de não ter onde morar, e levar uma vida aparentemente sem perspectiva, o filho de Elisa, Arnaldo Ferreira, 9, disse que pretende seguir os passos da mãe para onde quer que ela vá. “Se a minha mãe for morar debaixo da ponte, eu vou com ela. Não posso abandonar a minha mãe, ficamos sem casa, mas eu não posso deixar ela desse jeito”, disse.

“Quando lembro a reviravolta que a minha vida deu passa um filme na minha cabeça, porque se o governo tivesse conversado e encontrado uma saída para os moradores, não teríamos ficado na situação que estamos. Algumas pessoas têm casa e encontraram algum outro lugar para morar. Mas, a grande maioria não tinha para onde ir. Não vejo a hora desse pesadelo acabar”, concluiu.

Para o mototaxista Ericksson Thiago, 26, observar seus móveis se deteriorando aos poucos é intrigante, e a possibilidade de voltar para a casa é existente. Ele está morando na casa de sua mãe, no bairro Terra Nova, Zona Norte de Manaus.

“É triste ver as suas coisas desse jeito. Está tudo se acabando. Meu guarda-roupas está no banheiro, está tudo amontoado, o espaço é pequeno, minha mãe mora aqui e realmente não podemos continuar. Minha esposa está dormindo em uma rede e eu acordo com as costas todas doídas porque estou dormindo no chão duro. Eu pretendo voltar para lá, pois vale a pena quando não temos a nossa casa”, disse.

Por Luis Henrique Oliveira

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