Dia a dia

Famílias invadem área onde deveria funcionar novo Porto de Manaus

Terreno onde funcionava a antiga Siderama, a pouco mais de um mês vem sendo ocupado irregularmente - Foto: Marcio Melo

Terreno onde funcionava a antiga Siderama, a pouco mais de um mês vem sendo ocupado irregularmente – Foto: Marcio Melo

Aproximadamente 200 famílias invadiram uma área onde deveria funcionar o novo Porto de Manaus, onde anteriormente operava a Companhia Siderúrgica do Amazonas (Siderama), localizada no quilômetro 5, da rodovia BR-319 (Manaus – Boa Vista). No espaço já foram erguidos inúmeros barracos de madeiras, que os invasores extraíram da própria área, batizada por eles de “Morro do Macaco”. Boa parte dos ocupantes são moradores de áreas próximas ao porto de abastecimento de Manaus.

Desempregada e mãe de cinco filhos, Ana Maria Urbano, disse ter cadastro na Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab-AM), mas nunca conseguiu ser comtemplada com uma moradia. “Somos moradores dessa área da Ceasa. Tenho cadastro há muito tempo na prefeitura de Manaus e nunca recebi uma casa. Tenho cinco filhos para criar, pago aluguel, estou desempregada e busco um pedaço de chão para construir a minha casa. Trouxe uma lona para cobrir o barraco e vou pedir ajuda aos outros que puderem me ajudar”, declarou.

O local da invasão fica entre uma área da Marinha do Brasil e o Porto Chibatão, cercado por vários morros, de onde os moradores retiram a madeira para a construção dos barracos, e onde em alguns espaços é possível notar a demarcação dos terrenos, com os nomes dos supostos donos do pedaço de terra.

De acordo com o agricultor Augusto Araújo da Silva, o espaço era observado há muito tempo, mas não havia ocupação da área. “A verdade é que todos que estão aqui moram alugado e essa área está desocupada há muito tempo e estamos tentando uma moradia digna para nós e para os nossos filhos. Até agora não apareceu ninguém para prestar apoio, nem prefeitura, nem governo nem ninguém. Vivemos abandonados esperando somente a ajuda de Deus, ele quem olha pela gente. Sou agricultor e não tenho onde plantar, não tenho terras, nem uma casa para morar”, disse.

Conforme os relatos de pessoas próximas a área invadida, a ocupação irregular do terreno da União começou a pouco mais de um mês, e toda a área já foi tomada pelas famílias que seguem construindo casebres de madeiras. A invasora Márcia do Carmo Urbano, disse que a decisão de ocupar irregularmente o local foi tomada após a subida do rio, que durante a cheia invade as casas ribeirinhas, causando transtornos aos moradores. “Em tempos de chuva, quando o rio começa a subir a água chega até o meio o ‘cumieira’ das casas. Todos os anos o povo tem que sair. Quando a água vem entra cobra, jacaré, doenças entra tudo. Todo mundo que está aqui mora alugado, ninguém quer tomar nada de ninguém, mas essas terras são públicas e pertencem ao povo”, afirmou.

Responsabilidade

A área invadida passa por um imbróglio judicial, desde de 2012, quando iniciaram os debates para a construção do Porto Público de Manaus. De acordo com a superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Rebecca Garcia, a área invadida não é de responsabilidade do órgão. Ela foi repassada para a União e está sob a administração da Secretária de Patrimônio da União (SPU). Em contato com a superintendência da SPU no Amazonas, a reportagem não obteve sucesso.

Por Stênio Urbano

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