Dia a dia

Familiares de detentos denunciam planos para novo massacre em presídios amazonenses

                                                 O CDP 2 fica localizado ao lado do Compaj – Divulgação

Uma nova chacina, semelhante a que aconteceu no início de janeiro deste ano nos presídios de Manaus, estaria próxima de acontecer, segundo denúncia de familiares de presos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no Km 8 da BR-174. Segundo esses parentes, existiria um plano para a invasão do Centro de Detenção Provisório (CDP) 2, que fica ao lado do Compaj, para assassinar os internos que foram transferidos, na última sexta-feira (12), da Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no Centro de Manaus.

Conforme a denúncia, os presos do regime semiaberto do Compaj estariam montando um arsenal dentro da unidade prisional. Os internos estariam pulando o muro da unidade durante a noite e retornando com armas para se prepararem para a invasão. Eles só estariam esperando uma ordem do comando da facção para executar o plano.

O alvo dos ataques seriam os detentos que integram a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que inclusive teria ameaçado atacar autoridades policiais do Amazonas, Rio Grande do Norte e Roraima, conforme a interceptação da inteligência da Policia Federal de Brasília.

De acordo com uma das denunciantes, que preferiu não se identificar, os internos ficaram sabendo das ameaças ainda na Vidal Pessoa e avisaram os familiares. “Eles pensam que todos que estão lá no CDP 2 são do PCC, mas alguns não pertencem a nenhuma das facções. Nós estamos desesperados. Eles estão sem receber visitas, não podemos entregar alimentos. Estamos aflitos. Nossos familiares que estão lá dentro estão correndo risco de vidas. Por isso não queriam serem transferidos para p CDP2”, contou a mulher.

                  Nas proximidades do CDP 2 fica um portão do regime semiaberto do Compaj 

“Eles estão levando armas de fogo, facas e estoques. Um próprio interno do semiaberto nos relatou que tem várias armas escondidas dentro do Compaj para matar os presos do CDP2. As autoridades precisam tomar alguma providência. Eles não podem esperar algo acontecer para tomar alguma atitude”, falou outro familiar de um dos internos.

Algumas das armas, segundo as denúncias estão sendo guardadas em cima do pavilhão 5 do regime fechado do Compaj.
“Todos estão ameaçados de morte. Eles falaram que vão arrancar novas cabeças. Estamos desesperados, não sabemos mais o que fazer. Tomara que a polícia acredite dessa vez, pois nós avisamos da última vez e eles não acreditam e aconteceu a chacina”, falou.

A irmã de um dos presos, que cumprem pena no CDP2, disse que mora na Compensa e que no local os moradores estão comentando sobre possível invasão da cadeia.

 Possível rebelião na UPP seria feita para tirar o foco das autoridades para o ataque ao CDPM2   – Laize Minelli

Tirar a atenção

Esses parentes de presos que trouxeram a denúncia, contaram que fazem parte de um grupo de WhatsApp onde participam as mulheres dos “xerifes” dos presídios e, a conversa que circula, é que no dia em que a ordem de ataque for dada, um princípio de rebelião deve ocorrer na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) para tirar o foco das forças policiais. “Assim que receberem a ordem de invasão, internos da UPP irão fazer um princípio de rebelião para atrair a polícia para o local e, assim, deixar livre para os meninos invadirem o CDP 2”, disse uma outra denunciante.

 

Os familiares dos internos resolveram escrever uma nota para divulgarem no Whatsapp e, assim, a notícia chegar até as autoridades. Eles pedem que a Secretaria de Administração Penitenciaria (Seap) faça uma revista no Compaj.

O CDP 2 fica localizado atrás do Compaj, o presidio ainda está em obras, apenas uma ala ficou pronta para abrigar os internos que foram transferidos da Vidal Pessoa.

O que diz a SSP

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que considera a informação improcedente já que a unidade conta com vigilância permanente da Força Nacional de Segurança e pela Polícia Militar tornando, sem sentido, a denúncia de que os presos estariam saindo e retornando com armas.

Desde janeiro, as investidas de presos do semiaberto de adentrar com objetos não permitidos na unidade prisional foram frustradas por conta da fiscalização na área.

A SSP destaca que, conforme avaliação do Comitê Integrado do Sistema Penitenciário, do qual fazem parte mais de 20 órgãos estaduais e municipais, os presos estão mais seguros, atualmente, do que estavam na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no Centro, local.

Mara Magalhães
EM TEMPO

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