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Falta dinheiro e sobram distâncias para alavancar audiovisual ‘made in’ Amazonas

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Produtores regionais afirmam que projetos culturais no Amazonas poderiam ser potencializados se custos com transporte e logística fossem minimizados – fotos: divulgação

Falta de recursos financeiros e longa distância entre os municípios, o que por sua vez gera elevadas despesas com transporte, alimentação e logística.

Essas são as principais dificuldades enfrentadas por profissionais do audiovisual que se dispõe a realizar projetos no Amazonas, na opinião do cineasta Sérgio de Carvalho, coordenador do Pachamama – Cinema de Fronteira.

A solução da “questão amazônica”, como define Sérgio, passa pela formação de agentes culturais e produtores, cuja missão é levar o debate adiante.

“Esse é um dos focos do festival. As riquezas e o potencial da região devem ser mostrados ao poder público e empresas, de forma a sensibilizá-los. Trata-se de um processo de longo prazo, cujas ações já podem ser notadas, pelo menos por parte do governo federal”, disse.

A versão fixa do Pachamama surgiu em 2010, no Acre. O festival é realizado todos os meses de novembro. A edição itinerante teve início 2 anos depois.

A primeira etapa de 2015 percorreu, no Amazonas, do início daquele mês até o dia 7 de maio, comunidades dos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Iranduba e Barcelos.

É a primeira vez que o festival, contemplado pelo edital ‘Amazônia Cultural’ de 2013, acontece em cidades da Amazônia brasileira.

“Nos últimos tempos, os editais do Ministério da Cultura, por meio de uma política de cotas ou pontuação, têm levado em conta os projetos do Norte do Brasil. Mas ainda há muito o que conquistar”, analisa Carvalho.

Acúmulo de funções

Várias das atividades desenvolvidas pela iniciativa, como mostras, oficinas e bate-papos, foram registradas pela equipe que acompanhou Sérgio em sua trajetória pelo rio Negro.

“Tive que me desdobrar nas funções de fotógrafo, editor e logger (responsável pelo gerenciamento do arquivo de imagens)”, relata o diretor de fotografia Breno Bigi.

Formado em Publicidade e Propaganda, ele ressalta que o mercado dispõem de bons profissionais – o problema é a falta de verba.

“No Amazonas, somos obrigados a desempenhar funções além de nossa competência. O baixo orçamento te obriga a se tornar um profissional ‘multiuso’. Por outro lado, temos que nos adequar ao mercado”, afirma. O material registrado serviu para alimentar a fan page do Pachamama no Facebook.

Carência de atividades culturais leva o público de municípios do interior a abraçar de imediato atividades de audiovisual - foto: divulgação

Carência de atividades culturais leva o público de municípios do interior a abraçar de imediato atividades de audiovisual

A satisfação de levar arte ao interior do Estado compensa os contratempos e as despesas. É a opinião compartilhada tanto por Sérgio como pelo produtor Paulo Moura.

“Por causa da carência de atividades culturais, o público daqueles municípios costuma abraçar de imediato esse tipo de atividade. É uma população mais ‘aberta’. Na capital, ao contrário, a maior parte da audiência se mostra bastante segmentada”, analisa Moura.

“Devido à grande receptividade, acabamos realizando atividades que não constavam na agenda, como exibições, bate-papos e oficinas”, acrescenta. Nas duas últimas ocasiões, os participantes puderam conferir noções de produção audiovisual e detalhes sobre a história do cinema.

O Festival Internacional Pachamama – Cinema de Fronteira surgiu na divisa entre o Brasil, Bolívia e Peru.

Essa característica influenciou na decisão de Sérgio em realizar a edição deste ano numa área de fronteira. Além disso, o fato de a maioria da população de São Gabriel da Cachoeira ser constituída por indígenas também chamou a atenção do coordenador.

Produtores e realizadores do Amazonas já podem se inscrever no site do festival (cinema de fronteira.com.br) e enviar seus projetos. A segunda fase da mostra, com início previsto para junho, deve percorrer cidades da região de origem.

Por Daniel Amorim (especial Jornal EM TEMPO)

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