Economia

Falta de segurança eleva venda de armas de fogo em Manaus

Empresário afirma que 70% das pessoas que procuram a loja buscam saber como regularizar porte de arma - foto: Ione Moreno

Empresário afirma que 70% das pessoas que procuram a loja buscam saber como regularizar porte de arma – foto: Ione Moreno

O mercado de armas de fogo em Manaus segue estável, na contramão da instabilidade econômica que prejudica os outros segmentos do comércio e da indústria. Proprietários de lojas especializadas avaliam que o anseio da população em se defender do aumento da criminalidade sustenta a procura, principalmente por armas. Por outro lado, o mercado negro desse segmento, com preços bem mais em conta, segundo os lojistas, vende mais do que as empresas que trabalham de acordo com a lei.

O proprietário da loja Tiro Certo, Ataíde Duarte, localizada no Centro, Zona Sul, explicou que a procura de armas é grande e ela é feita por cidadãos comuns.  Na maioria das vezes, por falta de conhecimento de como adquirir a ferramenta. “Às vezes, o cidadão se compromete com um pagamento de cinco vezes no cartão, sem juros, mas faz um sacrifício financeiro para proteger a sua família”, explica o empresário.

Segundo Ataíde, 70% dos clientes que procuram a loja querem saber valores e saber como tirar o primeiro registro de posse ou porte de arma. O restante já chega ao estabelecimento sabendo o que tem que fazer. “Esse cidadão, geralmente, vai comprar arma pelo grande número de assalto e da violência e, geralmente, vai deixar em casa”, comenta.

A Tiro Certo comercializa espingardas com preços que vão de R$ 1.245, do modelo Reuna e da marca Boito, de calibre 36 a 12, até R$ 6 mil, da americana Mossberg semiautomática fabricada pela CBC. Das armas curtas, o destaque é a pistola modelo 838 de calibre 380 com 18 quilos + 1, que custa R$ 4,6 mil. E o revólver mais procurado pelos interessados, o famoso calibre 38, custa R$ 3,1 mil na loja.

O gerente da loja Jorge Mussa, no Centro de Manaus, Inácio Rodrigues, também diz que um dos grandes propulsores para a venda de armas é o medo da violência das ruas. “Com o aumento da criminalidade, as pessoas tendem a se defender, preservar sua própria vida. A arma não é apenas um acessório para matar, mas também para defender vidas”, ressalta.

A procura, segundo ele, tem sido significativa e a crise econômica não tem afetado o mercado de armas. Para Inácio, a única dificuldade do segmento é a lei que não favorece a maioria das pessoas que precisam ter armas legalmente. “Há um aumento na procura, mas as dificuldades com documentações e a demora dificultam o anseio da população em se defender com arma de fogo”, avalia.

Na loja Jorge Mussa, são comercializados revólveres que custam de R$ 3 mil a R$ 5,7 mil. As espingardas custam de R$ 4,5 mil a R$ 10 mil. As armas mais procuradas são espingarda, especialmente por agricultores, para serem utilizadas na caça, como atividade de subsistência. São vendidas por mês até três espingardas e, na mesma média, os revólveres.

Ilegalidade é grande concorrente

O mercado negro continua sendo um grande concorrente das lojas legalizadas, segundo Inácio Rodrigues. Ele avalia que os produtos ilegais são mais baratos, o que torna maior a procura em detrimento dos equipamentos do mercado legal.

Uma pistola ou espingarda que, na legalidade, custa R$4,5 mil, no mercado negro pode custar R$1,5 mil, ou seja, quase 67% mais barato. Já um revólver pode custar de R$ 1 mil ou até R$ 800 no mercado negro.

Por outro lado, a ilegalidade também é uma saída para fugir do rastro da Polícia Federal (PF). “Tem pessoas que ao comprar no mercado legal passam dados falsos. A PF tem critérios para não autorizar a venda para pessoas mal-intencionadas”, detalha Inácio

Por Joandres Xavier

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