Dia a dia

Falta de remédio pode levar pacientes à morte no Amazonas

Mestinon sumiu das prateleiras de Manaus e outras cidades do Brasil – Divulgação

Um grupo de pacientes com uma doença rara e incurável pode estar condenado a morte pela ausência do único medicamento existente para tratamento da Miastenia Gravis, uma desordem muscular que causa fraqueza e pode causar insuficiência respiratória.

O remédio Mestinon não possui genérico e, desde maio, não é encontrado nas farmácias de Manaus. De acordo com vários pacientes que conversaram com a reportagem do EM TEMPO, o  medicamento, a base de brometo de piridostigmina, deveria ser distribuído gratuitamente pela rede pública de saúde.

“Faço tratamento no Hospital das Clínicas, em São Paulo, e lá recebo toda a medicação necessária. São diversos remédios para reforço de cálcio, hipotireoidismo, reposição de vitamina D, anemia, entre outras necessidades. Aqui eu recebo apenas a azatioprina, mas não é suficiente”, conta a economista Edjane Moura, 55 anos.

Edjane mostra seu último frasco de Mestinon quase vazio – Arquivo pessoal

Desde outubro do ano passado já é possível encontrar relatos de desabastecimento em diversas regiões do país. Diante do número de reclamações, o laboratório responsável pela fabricação, Valeant do Brasil, inseriu um banner em sua página inicial na internet, comunicando que o medicamento não deixou de ser produzido, mas que não é mais responsável pela distribuição.

Segundo o informativo, o Instituto Terapêutico Delta, da cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo, assumiu essa demanda. Pacientes suspeitam que esteja havendo uma priorização para grupos de farmácias online, o que aumenta os custos devido ao gasto com frete.

“Depois de muitas reclamações, retiraram o valor do frete, mas ainda são os mesmos lugares que ainda tem o produto para a venda”, disse outra paciente.

Produção e distribuição

Fabricante avisa que distribuição mudou de empresa

O presidente do Sindicato do Comercio Varejista de Drogas do Amazonas (Sindidrogas), Armando Reis, afirma que os lojistas têm feito pedidos, porém não os recebem. De acordo com Reis, a distribuidora afirma que não tem conseguido suprir o alto número de pedidos. “A indústria está fabricando normalmente, mas a distribuidora não tem, devido a demanda”, afirmou.

Entramos em contato com a Valeant, fabricante do medicamente. De acordo com o Marketing da empresa, as questões relacionadas a fabricação estão concentradas no serviço de atendimento ao consumidor, que nos comunicou que um acordo recente transferiu tanto a produção, quanto a distribuição, para o Instituto Delta. Apesar de haver fotos do Instituto no seu site institucional, a Valeant afirma que a empresa não faz mais parte do grupo, no Brasil.

O Instituto Terapêutico Delta também foi procurado pela reportagem, mas todas as ligações caíram em caixa postal e os e-mails enviados não foram respondidos.

Rede pública

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que é responsável pela distribuição de medicamentos referentes à atenção básica, de baixa complexidade. No entanto, o Mestinon se encaixa em casos de maior complexidade, que são de competência do Governo do Estado.

A reportagem entrou em contato com a Susam sobre os motivos pelos quais o remédio não é encontrado ou distribuído no Estado. A Secretaria confirmou, por meio da Central de Medicamentos (Cema) que o remédio faz parte do elenco de medicamentos abordados na portaria 1554/13 do Ministério da Saúde, que aborda a distribuição do remédio pela rede pública de saúde, mas o Mestinon não faz parte do elenco de medicamentos padronizados pelo Programa Estadual de Medicamentos Excepcionais (Proeme), sem, no entanto, explicar os motivos da exclusão ou a previsão para que seja incluso.

Raphael Sampaio
EM TEMPO

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