Dia a dia

Falta de árvores revela a diferença de temperaturas em Manaus, diz pesquisa

 Corredor verde ao longo da avenida Getúlio Vargas oferece uma sensação térmica mais refrescante, ao contrário de áreas não arborizadas e também muito movimentadas – foto: Ione Moreno

Corredor verde ao longo da avenida Getúlio Vargas oferece uma sensação térmica mais refrescante, ao contrário de áreas não arborizadas e também muito movimentadas – foto: Ione Moreno

De acordo com dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Ceptec) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a temperatura máxima para este domingo (30) será de 29º C. Porém, em alguns pontos de Manaus, a temperatura deve ser mais elevada, devido à falta de arborização em alguns trechos.

Conforme o engenheiro agrônomo e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), Heitor Liberato Júnior, uma pesquisa comparando no mesmo dia e horário a temperatura nas avenidas Getúlio Vargas e Constantino Nery mostrou que a via sem arborização marcou 6º C a mais que a avenida com árvores frondosas. Ele afirma que uma cidade arborizada tem redução de até 4º C nas ilhas de calor.

“Uma pesquisa realizada por um universitário urbanista e que foi apresentada em um congresso de arborização urbana mostrou essa diferença nas avenidas da cidade de Manaus. A gente sabe que a Getúlio Vargas é bem arborizada e por isso a temperatura naquele local é mais amena, mesmo em dias mais quentes. Já na Constantino Nery, onde não há arborização, foi registrada essa temperatura muito mais elevada que nos outros pontos da cidade. Por isso é importante a questão da arborização”, explica.

O especialista, que palestrou na última semana, durante a Semana de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Martha Falcão, apresentou no evento uma foto comparando um bairro arborizado e outro sem árvores. Para a comparação, foi usado um bairro planejado sem árvores no Nova Cidade, Zona Norte, e o bairro Zumbi dos Palmares, na Zona Leste, que nasceu de uma invasão e mesmo assim possui muito mais árvores.

Conscientização

“Na realidade, Manaus cresceu de forma muito desordenada, e os bairros não têm espaços para plantar árvores nos passeios e nem nos canteiros centrais. Por isso, é preciso conscientizar o cidadão para que ele valorize os espaços e plante o verde. O amazônida já tem a cultura de plantar árvores frutíferas no quintal, por isso seria interessante incentivá-lo a plantar em sua área privada. Já a área pública, como é uma situação mais complexa, tem que ficar a critério do poder público e de técnicos da área”, observa.

Para ele, entre os principais passos a serem seguidos, para reverter a falta de árvores onde não há, é realização de um diagnóstico desses espaços, um inventário do que já está arborizado e um projeto de arborização que inclua o manejo das mudas e manutenção das árvores que já estão plantadas.

Mais de 10 mil mudas já plantadas

Conscientizar a população sobre a importância da arborização urbana e o manejo adequado quanto a sua manutenção são os principais desafios que o Plano de Arborização 2016, o Arboriza Manaus, enfrenta desde que foi posto em prática, em março deste ano. Nesses sete meses, mais de 10 mil mudas de árvores de várias espécies já foram plantadas em 61 logradouros, entre canteiros centrais e passeios públicos. O objetivo do programa, de acordo com a diretora de Arborização e Paisagismo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas), Rosimary Bianco, em entrevista publicada no EM TEMPO, é tirar Manaus da lista de capitais menos arborizadas do país.

O Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dá conta de que Manaus é a segunda capital brasileira menos arborizada no país. A pesquisa revelou que apenas 25,1% da cidade possui cobertura vegetal nas áreas urbanas, ou seja, apenas um domicílio, em cada quatro, possui uma árvore plantada em seu entorno. Bianco ressalta que hoje a realidade da cidade mudou e que existem muito mais espaços públicos arborizados. Mas, ela destaca que ainda não é o suficiente, e os trabalhos de plantio de mudas devem sempre continuar.

Ela chama a atenção para espaços urbanos que não foram computados pela pesquisa, como o Parque Municipal do Mindu, no Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul, um dos maiores parques urbanos, com 40 hectares de área protegida, conforme Rosimary. Outro espaço não considerado pelo Censo de 2010, e citado por ela, foi a Reserva Florestal Adolpho Ducke, na Cidade de Deus, na Zona Norte, que detém uma área de mais de cem hectares protegida.

Michelle Freitas
Jornal EM TEMPO

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