Economia

Falta de acordo prolonga greve de auditores fiscais na Receita Federal

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Mais de mil contêineres estão parados nos portos de Manaus em função da greve dos auditores – foto: Ione Moreno

Na segunda semana da operação padrão dos auditores fiscais da Receita Federal do Amazonas, o volume de contêineres retidos no porto de Manaus já passou de mil, com maior concentração nos portos Chibatão, Super Terminais e Aurora Eadi.

Enquanto a categoria cobra do governo federal o cumprimento do acordo sobre o reajuste salarial, a indústria amazonense sofre as consequências da paralisação dos servidores da Receita e cogita a interrupção nas atividades do setor, caso a operação padrão se entenda.

Segundo o diretor financeiro do Sindicato dos Auditores Fiscais no Estado do Amazonas (Sindifisco-AM), Amauri da Silva Teixeira, até ontem (21) o governo federal não havia sinalizado o cumprimento do acordo assinado em março, para um reajuste de 21%, parcelado em quatro anos – 5,5% em 2016 e 2017 e 5% em 2018 e 2019. “Acham que estamos querendo muito. Mas é um reajuste dividido em quatro anos, que a cada ano não cobre nem a inflação”, disse.

No acordo, conforme Teixeira, o reajuste deveria ter afeito a partir de agosto deste ano. Mas, até agora o governo não enviou projeto de lei ao Congresso Nacional, para que seja apreciado e aprovado até o prazo acordado. Como solução para evitar atrasos, o diretor do Sindifisco-AM disse que a categoria sugeriu ao governo que ele trabalhe com uma medida provisória, que tem efeito imediato. “Se for um projeto de lei apresentado em agosto o efeito dele não sai tão cedo e nem pode ter efeito retroativo”, explicou.

Teixeira lembrou que o reajuste de outras carreiras do ciclo de gestão do governo federal, como do Judiciário e do Ministério Público já foram implementados neste ano.
“Enquanto o governo não cumprir e não honrar com a parte dele nós vamos manter a operação padrão de terça e quinta-feira, nada impedindo que estendamos para segunda e quarta-feira. Até março nós vínhamos sinalizando com operações padrões”, afirmou Teixeira.

Com as paralisações dos auditores fiscais, o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, informou na última segunda-feira (18) que o Polo Industrial de Manaus (PIM) poderá ter atividades paralisadas nas próximas semanas, por falta de insumos.

O Sindifisco-AM confirmou que a maioria dos contêineres retidos são encomendas de importados do setor.

Périco disse que o empresariado da indústria até entende o motivo da operação dos auditores fiscais da Receita Federal, contudo, sem os insumos as linhas de produção podem ficar sem funcionamento. E sem as mercadorias, o presidente do Cieam calcula que os prejuízos podem chegar a US$ 233 milhões, por dia, uma vez que o faturamento do PIM é de, aproximadamente, US$ 7 bilhões, mês.

Para amenizar os efeitos do movimento dos auditores fiscais sobre a indústria, Périco informou que o Cieam dará entrada em medida judicial contra as paralisações sobre as conferências dos contêineres das fábricas do PIM.

Por Emerson Quaresma

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