Dia a dia

Falsos alertas de bombas em Manaus custam R$ 5 mil ao Estado

Os seis artefatos encontrados, além das notícias relatando os recentes ataques terroristas promovidos na Europa pelo grupo Estado Islâmico (EI) e a proximidade dos Jogos Olímpicos deixaram a população de Manaus apreensiva - foto: Diego janatã

Os seis artefatos encontrados nos últimos dias, deixaram a população de Manaus apreensiva – foto: Diego janatã

A população de Manaus tem convivido com uma situação estranha e incômoda nas últimas semanas. Seis objetos encontrados em circunstâncias suspeitas em zonas diferentes da cidade levaram a polícia a convocar o grupo de Manejo de Artefato Explosivo (Marte). As notícias relatando os recentes ataques terroristas promovidos na Europa pelo grupo Estado Islâmico (EI) e a proximidade dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que terá jogos de futebol em Manaus, deixaram a população apreensiva. No entanto, as autoridades locais afirmam que até o momento a hipótese mais provável é de que tudo não passe de um trote. Mas, aproveitando a oportunidade, EM TEMPO ouviu especialistas para explicar o que fazer em uma situação suspeita.

Os primeiros objetos estavam dentro de uma caixa de papelão e foram encontrados nas dependências da Igreja Católica São Pedro,dia 27 de junho, na rua Benjamin Constant, bairro Petrópolis, Zona Sul. No dia 3 de julho o alvo foi a Igreja Católica São Felipe, localizada na rua Arthur Reis, bairro Santo Antônio, Zona Oeste.

O explosivo que estava na escada da paróquia foi encontrado por comunitários no momento em que chegavam para a missa. No dia 8 de julho, o Grupo de Manejo de Artefato Explosivo (Marte) foi acionado por um flanelinha, que encontrou um artefato explosivo em via pública, próximo a boate Remulos.
Na manhã de 11 de julho, em frente à Circunscrição Judiciária Militar (CJM), na avenida Coronel Teixeira (avenida São Jorge), bairro São Jorge, Zona Oeste, homens do Grupamento de Manejo de Artefatos e Explosivos (Marte) detonaram um suposto artefato explosivo encontrado em uma bolsa Karga roxa. O último caso, uma espécie de bomba caseira, ocorreu na tarde do dia 14, no bairro Distrito Industrial 2, Zona Leste.

O secretário de segurança pública do Estado Sérgio Fontes afirmou que apesar de nenhuma das ocorrências ter sido confirmada como bomba, isso não significa que a colocação dos objetos não seja passível de punição. “Quem for pego colocando artefatos e depois acionando a polícia responde por falsa imputação de crime. Além de todo transtorno à ordem pública que esses incidentes trazem”, afirma.

Além disso, existe uma questão financeira importante. “Todo o deslocamento de forças policiais para detonar esses objetos custa aos cofres públicos por volta de R$ 5 mil. O responsável por esta ação terá de ressarcir o Estado”, alertou Fontes. O titular da SSP/AM descartou, em princípio, que os incidentes tenham qualquer ligação com os jogos em Manaus pelas Olimpíadas.

Simulação descartada

Em nota enviada à imprensa no último dia 11 de julho, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) afirmou que nenhuma das seis ocorrências foi considerada bomba. De acordo com levantamento realizado pelo Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), Polícia Civil e Grupamento Marte, apenas em um dos incidentes foi encontrada pequena quantidade de pólvora negra, sem representar risco de explosão. No caso, em uma mochila deixada no bairro Petrópolis, na Paróquia São Pedro.

O secretário Fontes afirmou que as investigações trabalham tendo como principal hipótese a de se tratar de um trote. “Até o momento, não houve nenhum evento que prejudicasse diretamente ninguém. O Marte tem de proceder de acordo com os protocolos internacionais de segurança em todos os casos, mesmo que depois se mostrem alarmes falsos”, explicou. Fontes também descartou a possibilidade de teste. “Todos os eventos simulados que realizamos são avisados para a sociedade por meio da imprensa”, disse.

A hipótese de simulação também é descartada pelo Coronel Orlando Taveiros, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo. “É muito temerário afirmar que uma ação como a descrita seja um teste para as autoridades. A sensação de segurança em uma localidade é fundamental para a ordem pública e uma afirmação como essa somente iria gerar desconforto a população”, raciocina.

Com a sua experiência em uma cidade como São Paulo, Taveiros afirma que é imprescindível que as investigações sejam bem conduzidas para a localização e responsabilização de quem as tem orquestrado. “Ameaças falsas são mais comuns do que se imagina. Faculdades em véspera de provas, para cancelá-la é o mais clássico caso. A irresponsabilidade de algumas pessoas é de causar espanto, quando chegam notícias falsas como essa”, alerta.

Por Fred Santana

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