Mundo

Expulsões de imigrantes na França põem violência policial em debate

A polícia francesa expulsou nesta segunda-feira (8) mais de 80 pessoas, na maioria imigrantes da África oriental, que estavam originalmente sob um viaduto de ferrovia na capital, Paris.

Inicialmente, havia 340 imigrantes acampados embaixo do viaduto. Eles começaram a ser expulsos na terça-feira da semana passada (2), mas centenas deles ficaram vagando pelas ruas parisienses.

Na segunda, alguns dos imigrantes foram forçados a embarcar em ônibus no 18º distrito da capital, diante de protestos de associações e militantes contra a violência policial.

Nesta terça (9), o defensor dos direitos (autoridade constitucional independente) da França, Jacques Toubon, abriu investigação sobre o caso, a pedido do Gisti, organização de apoio a migrantes.

A Prefeitura de Paris afirmou que a operação desta segunda visava “verificar” a situação dos imigrantes e fazer a triagem deles.

A associação France Terre d’Asile informou que cerca de 160 deles tiveram reconhecido o direito ao asilo, e outros 70 foram considerados “vulneráveis” e colocados sob a proteção da prefeitura. Outros 46 imigrantes, porém, foram levados a centros de detenção e devem ser expulsos do país.

DIVISÕES NA ESQUERDA

Tanto o presidente do país, François Hollande, como a prefeita parisiense, Anne Hidalgo, são do Partido Socialista, e as medidas dos governos em relação aos imigrantes foram alvo de severas críticas de outros setores da esquerda francesa.

O comunista Hugo Touzet, eleito conselheiro do 18º distrito parisiense, disse no Twitter ter sido vítima de violência policial enquanto protestava contra a remoção dos imigrantes; segundo ele, a polícia só parou quando descobriu seu cargo.

O secretário nacional do Partido Comunista francês, Pierre Laurent, se disse “revoltado” com o comportamento do primeiro-ministro do país, o também socialista Manuel Valls, a quem Laurent atribuiu a culpa por “enviar as forças públicas contra os refugiados”.

Emmanuelle Cosse, do partido ecologista EEVL, chamou de “vergonha” a ação da polícia, que empregou gás lacrimogêneo contra os imigrantes.

Em defesa do governo, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, declarou ao jornal ‘Le Monde’ ter dado aos refugiados “a solução mais humana possível”. Segundo ele, os imigrantes viviam em condições desastrosas havia meses.

Por Folhapress

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir