Cultura

Exposição de fotos ‘A Jornada do Rinoceronte’ chega à Manaus dia 23 de junho

Érico Hiller despertou para a necessidade de fazer algo pela preservação do rinoceronte durante uma viagem à África do Sul – foto: divulgação

Érico Hiller despertou para a necessidade de fazer algo pela preservação do rinoceronte durante uma viagem à África do Sul – foto: divulgação

Uma reação de perplexidade atinge as pessoas ao se darem conta da tragédia que envolve desinformação e superstição e que pode levar à extinção do rinoceronte. É assim que o fotógrafo Érico Hiller descreve a reação de quem prestigia a exposição “A Jornada do Rinoceronte”, composta por imagens captadas por ele.


Ao EM TEMPO, Hiller afirma que existe uma crendice de que o chifre do animal tem propriedades medicinais e isso motiva a sua matança. O detalhe é que o chifre é composto basicamente por queratina, substância encontrada em unhas e pelos dos mamíferos e que voltam a crescer quando aparados.

O registro documental que forma a exposição começou a ser feito por Érico a partir de 2014, durante viagem a países como Zimbábue, Moçambique, África do Sul e Quênia. Uma coletânea do material chega a Manaus no dia 23 de junho. Pela primeira vez na região Norte, a exposição segue até 12 de julho, sempre no Manauara Shopping.

“São 40 fotos que contam a tragédia do rinoceronte dentro desse universo que envolve quem os protege, quem os caça e quem financia essa matança. É um trabalho documental engajado porque, ao longo do processo, fiquei tocado pela possível extinção desse animal. E me toca ainda mais ao ver que isso pode ocorrer durante a passagem da nossa geração pela Terra. O trabalho fotográfico, por isso, assumiu notas conservacionistas”.

Rinocerontes vivos, mortos para retirada do chifre e abandonados em reservas, os guardas que os protegem e as famílias dos caçadores que sobrevivem dessa comercialização estão retratados na exposição. “Das cinco espécies que existem no planeta, eu já fotografei três: o branco, o preto e o indiano, que tem um chifre só. É um história da ambição humana, um descaso sobre a vida animal. Muitos choram ao ver as fotos e ao ler as legendas”, diz Hiller. Suni, o rinoceronte branco do Norte registrado pelo fotógrafo, morreu em outubro de 2014. Ele era o penúltimo macho de sua espécie e agora apenas seis restam no planeta.

Érico Hiller relatou que entre as propriedades curativas que a superstição atribui ao chifre do rinoceronte está o aumento da fertilidade. É atribuído a ele, também, funções afrodisíacas. “Por desinformação e superstição, acredita-se que o pó adicionado aos alimentos ou transformado em chá traz esses benefícios como aliviar a febre, manter a potência sexual em qualquer idade e até combater o câncer”.

A essa prática, chama-se de caça furtiva porque ela ocorre unicamente para retirada do chifre. “Os caçadores entram em reservas privadas, armados com rifles e os matam. Eles usam silenciador para ninguém ouvir os disparos e com um machado eles retiram o chifre e o restante animal fica apodrecendo”, descreveu.

“O chifre é vendido a peso de ouro porque os preços são exorbitantes. Um quilo do chifre custa US$ 65 mil. Há muito dinheiro circulando nas mãos de organizações criminosas”, avaliou.

Por Cleidimar Pedroso (especial Jornal EM TEMPO)

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