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Ex-presidente da Câmara dos EUA chama Ted Cruz de “demônio”

Em resposta aos ataques, Cruz disse que Boehner botou para fora o seu "Trump interno", em referência à verborragia do seu concorrente - foto: reprodução

Em resposta aos ataques, Cruz disse que Boehner botou para fora o seu “Trump interno”, em referência à verborragia do seu concorrente – foto: reprodução

O ex-presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos John Boehner deixou claras as divisões internas do Partido Republicano durante as primárias presidenciais do país. Ele atacou abertamente o pré-candidato do partido à Casa Branca Ted Cruz, a quem chamou de “Lúcifer em carne e osso”.

“Tenho amigos democratas e amigos republicanos, e me dou bem com a maioria deles. Mas em minha vida nunca trabalhei com um filho da puta mais miserável do que ele”, disse.

Falando em uma conferência na Universidade de Stanford, Boehner também comentou que há muito tempo conhece Donald Trump, o pré-candidato republicano que lidera a corrida do partido, e que eles jogavam golfe e trocavam mensagens de celular.

Boehner falou ainda do governador de Ohio, John Kasich, que também continua na corrida republicana pela Presidência. O ex-presidente de Câmara disse que Kasich “exige mais esforço de minha parte do que todos os meus outros amigos, mas ele ainda é meu amigo e eu o amo”, disse.

Durante sua gestão como presidente da Câmara de Representantes (entre 2011 e 2015), Boehner ficou famoso por não fazer rodeios verbais para criticar aliados e adversários, mas costumava ser mais moderado de que esses comentários recentes.

Apesar de ser responsabilizado por forte oposição do Congresso, que levou ao “shutdown” (paralisação) do governo federal em 2013, Boehner ainda é uma figura muito influente no Partido Republicano.

Resposta

Em resposta aos ataques, Cruz disse que Boehner botou para fora o seu “Trump interno”, em referência à verborragia do seu concorrente.

Cruz disse nunca ter trabalhado diretamente com o ex-presidente da Câmara, e que ficaria surpreso se eles tiverem trocado mais de 50 palavras.

“Quando John Boehner me chama de Lúcifer, ele não está se dirigindo a mim. Ele está se dirigindo a vocês”, disse a seus eleitores.

Apelo por indiana

Em email de apelo enviado nesta quinta (28) a seus simpatizantes, Cruz diz que as prévias republicanas do Estado de Indiana, na próxima semana, serão fator decisivo para sua candidatura.

Segundo ele, a votação em Indiana será “O único, maior e mais importante dia da nossa campanha até agora”.

A primária no Estado define o apoio de 57 delegados republicanos e pode decidir se Cruz ainda tem alguma chance de vencer Trump, que lidera a disputa.

“Não posso enfatizar o suficiente o quão importante o voto em Indiana vai ser e, francamente, pode ser o fator decisivo”, complementa.

Cruz tem o apoio de 562 delegados, 430 a menos de que os 992 conquistados por Trump nas prévias, e apenas 502 novos delegados vão ser definidos nos dez Estados que restam. Sua única esperança é impedir que Trump supere 50% de apoio partidário.

Se nenhum deles obtiver ao menos 1.237 delegados até a convenção nacional republicana, em julho, vota-se de novo, agora com a maioria dos delegados livre para indicar o candidato que preferir.

Baixa frequência

O apelo de Cruz tenta fazer os eleitores do partido participarem das primárias. Um levantamento recente do site de estatísticas “Fivethirtyeight” indica que a participação dos republicanos nas prévias vem caindo drasticamente.

Enquanto 27,8% da população com direito a participar das primárias votaram na decisão em New Hampshire, primeiro Estado a decidir, apenas 6,4% compareceram em Nova York, que teve a votação mais recente.

Segundo nate Silver, estatístico do site que fez o levantamento, Trump está liderando a disputa do partido não apenas por estar convencendo os eleitores indecisos, mas porque os republicanos que são contra ele estão desanimados com a campanha.

Após ser derrotado em cinco Estados nesta semana Cruz anunciou na quarta (27) Carly Fiorina, ex-rival e ex-presidente da Hewlett-Packard, como sua vice para concorrer à Casa Branca.

A indicação de uma vice antes de se tornar candidato oficialmente é rara e foi vista como ato de desespero da sua campanha.

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