Dia a dia

Ex-moradores da invasão Cidade das Luzes acampam próximo à área desocupada

Construções irregulares e armações de madeiras foram retiradas do terreno, para onde invasores querem voltar - foto: Marcio Melo

Construções irregulares e armações de madeiras foram retiradas do terreno, para onde invasores querem voltar – foto: Marcio Melo

Após a retirada de 80 construções irregulares, entre barracos, armações de madeira e piquetes utilizados para demarcação de terrenos, da invasão Cidade das Luzes, situada no Tarumã, Zona Oeste, um grupo de aproximadamente 20 pessoas continuava nas imediações do local, na manhã de ontem (6). Com a presença constante da polícia, que resguarda o terreno reintegrado, a opção dos moradores que não tem para onde ir, foi acampar nas proximidades da área.

A dona de casa Juliane Correia, 41, uma das integrantes da ocupação, decidiu ficar acampada próxima ao terreno porque não tem para onde ir. “Eu estou devendo mais de R$ 1 mil de aluguel, o pouco dinheiro que eu tinha, acabei investindo na minha casa, na Cidade das Luzes, que era toda de compensado. Agora não tenho para onde ir e vou ficar por aqui”, disse.

Quem também decidiu ficar acampando próximo ao terreno foi o desempregado Raimundo Pereira, 32. De acordo com ele, mesmo após a retirada dos barracos, as famílias ainda pensam em voltar a ocupar a área e construir moradias. “Esse terreno é a nossa única esperança de ter uma moradia digna, porque nenhuma autoridade olha para a gente, estamos abandonados sem ter para onde ir. Queremos apenas a oportunidade de construir nossas casas”, comentou.

A retirada das construções irregulares ocorreu na manhã da quarta-feira (5), sob a escolta da Força Tática, Batalhão de Choque, Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), Superintendência Estadual de Habitação (Suhab), secretarias municipais de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e de Infraestrutura (Seminf).

Durante a ação foram encontrados veículos com ferramentas e material de construção, como madeira e lonas plásticas, que seriam utilizados para erguer novos barracos.

A Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema) deve investigar a informação de que uma mulher cadastrava famílias interessadas em ocupar a área, cobrando R$ 10 por cada cadastro.

Terreno

O terreno de aproximadamente 61 hectares passou por uma reintegração de posse há 10 meses, em cumprimento a uma ordem judicial. Do lugar, foram retiradas mais de 1,2 mil edificações, numa operação que contou com os órgãos do Grupo Integrado de Prevenção às Invasões em Áreas Públicas do Amazonas (Gipiap). Essa é a terceira tentativa de retorno dos ocupantes à área da antiga Cidade das Luzes.

Em outubro do ano passado, a área foi alvo também de duas operações deflagradas pela Secretaria de Segurança Pública (SPP-AM) e Ministério Público do Estado (MPE-AM), batizadas de Blackout 1 e 2, para coibir crimes ambientais e de tráfico de drogas na área.

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