Dia a dia

Estudo da UEA analisa prevalência de gravidez fora do útero

Pesquisa teve como base a análise dos prontuários de gestantes que deram entrada na maternidade Ana Braga no ano de 2012 - foto: divulgação

Pesquisa teve como base a análise dos prontuários de gestantes que deram entrada na maternidade Ana Braga no ano de 2012 – foto: divulgação

Um estudo desenvolvido pela aluna do curso de Medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Juliana Barroso, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) verificou a prevalência de gravidez ectópica, quando o embrião se forma fora do útero, na maternidade Ana Braga, localizada no bairro São José, na Zona Leste. O estudo foi realizado no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic), na Fundação Alfredo da Matta (Fuam) e analisou os dados de gestantes que deram entrada na maternidade em 2012.

A pesquisa identificou que de 121 mulheres que realizaram a laparotomia exploradora (abertura cirúrgica da cavidade abdominal), 81 apresentaram gravidez ectópica, o que corresponde a 66,9% das pacientes.

De acordo com a pesquisadora, uma das principais causas da gravidez ectópica é a inflamação pélvica que está associada a Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como a clamídia e o gonococo.

“Se a mulher adquire DST e não faz o tratamento adequado, ela pode vir a desenvolver doença inflamatória pélvica e, por conseguinte, a gravidez ectópica. O risco maior é de haver ruptura da gravidez no abdômen da mulher e acabar apresentando hemorragia. Geralmente, é necessário fazer uma cirurgia”, explicou Juliana Barroso.

A mestre em medicina tropical pela UEA e em saúde internacional pela Universidade de Barcelona, Camila Bôtto, que orientou o estudo, disse que a maioria dos casos de gravidez ectópica, em 2012, foi encontrada na maternidade Ana Braga, pois foram encaminhados por outras maternidades por  conta do procedimento cirúrgico. Contudo, a médica não descarta terem havido casos em outras maternidades que não foram notificados.

Com os dados, de acordo com Bôtto, foi possível identificar os fatores que influenciaram para um quadro mais grave da doença nas pacientes. “A paciente acaba desenvolvendo anemia, por conta da hemorragia, e, ao ser submetida ao procedimento cirúrgico, aumentam as chances de complicações. Outro fator que está associado a um maior risco é a demora em ir ao hospital ou vir encaminhada do interior do Amazonas”, observou a pesquisadora.

Com o trabalho, as pesquisadoras esperam contribuir com informações sobre o problema e alertar para a prevenção e tratamento das DSTs e das doenças inflamatórias pélvicas.

“Mulheres que tiveram gravidez ectópica possuem chances maiores do quadro se repetir, além de diminuir a chance de uma nova gravidez normal, porque, dependendo da gravidade da doença, no procedimento cirúrgico são retiradas as trompas ou ovário”, destacou.

Sem sintomas

A jornalista Mirineia Nascimento, 36, descobriu, em 2005, por meio de exames ginecológicos de rotina, que estava com gravidez ectópica. Ela disse que não apresentou sintomas de gravidez e só descobriu por meio de uma ultrassonografia que estava com uma gestação de 30 dias.

Segundo ela, o diagnóstico para causa da gravidez ectópica foi hidrossalpinge (acúmulo de água nas trompas ou em uma delas).

“No mesmo dia que descobri fiz a cirurgia, na qual somente o feto foi retirado. O médico reconstituiu a trompa do lado esquerdo, onde estava o feto e disse que minha trompa voltasse ao normal 50% dependia da cirurgia e os outros 50% da medicação, mas os remédios eram fortes e me davam reação alérgica, então eu parei de tomar. Fui orientada a me prevenir muito, pois o risco de ter outra gravidez ectópica era grande”, informou a jornalista.

De acordo com Mirineia, todos os anos, além dos exames ginecológicos de rotina, ela realiza um exame específico: a histerossalpingografia, que verifica as condições anatômicas dos órgãos reprodutores femininos.

Com o exame, ela descobriu, em 2013, que a trompa do lado direito estava comprometida e a do lado esquerdo precisava passar por procedimento cirúrgico para remoção.

“A médica reverteu a situação da trompa direita. Depois da cirurgia, tenho um diagnóstico que posso engravidar, normalmente, sem riscos”, disse.

Da redação

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir