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Estudantes arrecadam doações para os desabrigados de Paraisópolis

O incêndio em Paraisópolis destruiu pelo menos 50 casas – Divulgação

Um grupo de estudantes fez neste sábado (4) a arrecadação de doações para os desabrigados do incêndio do último dia 1º na Favela de Paraisópolis, zona sul da capital paulista. As doações foram recolhidas no vão livre do Museu de Arte Moderna (Masp), na Avenida Paulista.

Entre as doações estavam chuveiros, roupas, alimentos não perecíveis e colchões. Milena Nascimento da Silva tem 18 anos, é estudante de ciências sociais na Universidade de São Paulo (USP) e foi uma das organizadoras. Moradora da Favela Alba, ela conta que já vivenciou o drama dos incêndios em comunidades.

“Eu nasci na favela, eu sei o que é. Incêndio sempre acontece, principalmente [em favelas] próximo a bairros nobres, Paraisópolis é perto do Morumbi, super valorizado. A gente não pode largar as nossas origens, a gente tem que estar com eles”, disse Milena.

A campanha de doações foi impulsionada pelas redes sociais e contou com a participação de estudantes secundaristas e moradores da Avenida Paulista. Jarbas Oliveiras Bispo, professor e advogado, fez questão de doar três sacolas de roupas. “Eu sou ser humano, sou solidário com a dor do outro. Senão, como fica? Se a gente vê os outros e não se solidariza, não precisa mais ser humano”, disse.

Isabela Albuquerque Lemos, artista plástica, soube da arrecadação pelo facebook. “A gente tem o suficiente para a gente e, às vezes, até para doar. Em vez de jogar fora, por que não dar a outras pessoas que possam reaproveitar isso? Você vê uma família que perdeu tudo, é de doer o coração”, afirmou.

O incêndio em Paraisópolis destruiu pelo menos 50 casas. Segundo a Secretaria Municipal de Direitos Humanos, 334 desabrigados foram alojados em casas de parentes e amigos. Apenas 20 pessoas solicitaram abrigo em locais disponibilizados pela prefeitura.

De acordo com a prefeitura, as famílias atingidas pelo incêndio receberam kits de higiene, colchões e cestas básicas como atendimento emergencial. A administração municipal vai também checar os cadastros para identificar quem tem direito a benefícios como o auxílio-aluguel.

Atualmente, cerca de 100 mil famílias vivem em Paraisópolis, considerada a segunda maior comunidade de São Paulo, atrás de Heliópolis.

Fernanda Cruz
Agência Brasil

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