Eleições 2016

Estreando na disputa pela prefeitura de Manaus, Queiroz fala dos projetos e alfineta adversários

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Marcos Queiroz é professor da rede pública de ensino e, pela primeira vez, é candidato a prefeito de Manaus – foto: Márcio Melo

O paraibano Marcos Antônio Queiroz quer ser prefeito da cidade de Manaus, aspirante à metrópole que possui cerca de dois milhões de habitantes. Um dos fundadores do Psol no Amazonas, o professor da rede pública do Estado iniciou sua militância política ainda na capital paraibana, no movimento estudantil secundarista, em meados da década de 1980. Ele migrou com a família para o Amazonas no final desta década.

Aos 48 anos de idade, casado e pai de quatro filhos, além de ser um dos fundadores do Psol no Estado, Professor Queiroz – como ficou conhecido no meio político – também atua como coordenador do movimento ecológico Missão Verde, em defesa da preservação da Amazônia.

Ao ingressar na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), tornou-se em pouco tempo uma liderança estudantil em defesa do ensino público.

Atualmente ele é militante ativo do Movimento dos Trabalhadores em Educação do Amazonas e tem sua primeira candidatura a prefeito de Manaus. Em uma entrevista de aproximadamente 30 minutos, o candidato contou em detalhes seus projetos para Manaus, alfinetou candidatos adversários e explicou o fato de não ter recursos para bancar a campanha eleitoral 2016.

EM TEMPO – O que seu plano de governo contempla de propostas para Manaus?
Professor Marcos Queiroz – Nosso plano é baseado em cinco eixos. Temos a gestão popular, o Brasil está cansado da velha política, o povo quer falar, nosso desafio é criar canais democráticos para que o povo possa opinar sobre decisões na cidade. No eixo dois, temos a reforma urbana, que queremos forçar na ocupação do solo; o acesso a serviços, entre eles o transporte coletivo. Queremos que os empresários possam respeitar a cidade e os contratos, porque se não conseguem isso, podem ir embora de Manaus e procuramos outras empresas. Outro ponto é a educação, tem que formar a garotada para respeitar a diversidade. Temos que devolver ao professor sua autonomia, para que ele possa planejar melhor a sua aula e reformar o currículo escolar; como colocar história e geografia do Amazonas de volta às salas de aula. Outro ponto específico é a saúde, acompanhar as mulheres no pré-natal, acompanhar médico da família, e todos os serviços básicos; valorizaremos também o esporte e o lazer.

EM TEMPO – Estamos diante de uma campanha com muitos candidatos, sendo o senhor de um partido com pouco tempo de história, o que o motivou a ser candidato a prefeito de Manaus?
PMQ – Acho que a marca maior é a indignação. Todos nós somos eleitores, vamos lá apertar a máquina, e este ano além disso, eu decidi ser candidato. É um projeto coletivo; de várias pessoas do meu partido. Fui candidato ao Senado e tive uma votação muito boa, em relação financeira, comparada com os outros. Gastei R$ 1,5 mil e obtive 12 mil votos. Foi uma eleição mais viável e muito simples, mas eu decidi vir para candidato para dar mais uma alternativa para Manaus, pois temos um grupo que governa essa cidade há mais de 40 anos, e nós discordamos dessa forma de governar a cidade. Queremos administrar Manaus com foco em cuidar das pessoas.

EM TEMPO – E para esta campanha para prefeito, qual a sua estimativa de gasto?
PMQ – Nessa campanha, para os ricos será difícil devido à nova lei eleitoral que proíbe a doação de empresas, porém, no nosso caso, não recebemos doação de empresários, mas sim, doações de pessoas físicas, simpatizantes do partido, e pretendemos arrecadar com isso entre R$ 80 mil a R$ 100 mil.

EM TEMPO – O senhor não declarou bens em seu nome ao TRE, o que acabou gerando a alcunha de “candidato mais pobre”. Qual é a sua explicação?
PMQ – Minha realidade hoje é que de fato não tenho nada em meu nome em bens materiais. O que tenho é minha renda como professor, minha renda anual, mas infelizmente o TRE não adequou a plataforma para colocar esse valor que trabalho no dia a dia. Diz a imprensa, que o Queiroz é o candidato mais pobre. Realmente eu sou o mais pobre, não tenho carros e apartamentos, todavia, eu sei administrar meu dinheiro, vem do meu suor. Eu não tenho patrimônio enormes de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões.

EM TEMPO – Na sua visão de político e candidato a prefeito, o que precisa ser melhorado na cidade de Manaus?
PMQ – Repudiamos a forma como os prefeitos que passaram pela cidade viram Manaus. Para eles, a cidade não passa de um cartão postal, como a Ponta Negra, a Arena da Amazônia e entre outros. O desafio é olhar para a cidade de outro ângulo, vendo as periferias e os bairros esquecidos. Então, nossa gestão é pensar nos esquecidos. Manaus hoje tem um problema sério que é o trânsito, que costumo chamar de “carrocracia”. Quem manda hoje nos governos? Os carros. O povo não confia no transporte coletivo. O desafio nosso, hoje, é a questão dos ônibus, do lixo. Manaus produz muito lixo e aqui não tem uma usina de compostagem, onde o lixo doméstico é transformado em adubo. Manaus não é só a cidade, é um município, onde deveriam ser abastecidos com esse adubo todas as plantações ao redor daqui. Precisamos também de uma campanha rigorosa e séria na cidade sobre o lixo seletivo, para combater essa situação.

EM TEMPO – Com pouco mais de uma década de fundação, essa é a segunda vez que o Psol lança candidato majoritário e o senhor foi escolhido para levantar essa bandeira. Como foi feita essa escolha interna?
PMQ – Eu sou um dos fundadores do Psol em Manaus, no Amazonas e no Brasil. Então, o partido entendeu que, hoje, eu sou um candidato que pode assumir esse compromisso com nossa cidade e incorporar essa candidatura coletiva, pelo tempo de militância. Em termos numéricos, sou um candidato que já teve uma votação maior ao Senado e soma-se a isso o compromisso ao programa partidário, com o coletivo. Somos um partido do povo, da mulher, da juventude; então é isso, entender que nosso nome é o que há de melhor no partido hoje.

EM TEMPO – Se eleito prefeito de Manaus, como pretende trabalhar a relação entre prefeitura e os governos estadual e federal?
PMQ – Bom, é o diálogo respeitoso. Parte dos tributos é partilhado entre governo do Estado e federal, então nós vamos fazer valer esses tributos, a outra parte cabe ao município. O desafio nosso é dar ao município o que é do município. Iremos buscar com muita força os tributos voluntários, dinheiro que está nos bancos para a saúde e a educação e vamos transformá-los em obras, pois esses valores são federais e dependem de projetos apresentados; e tem que prestar contas desses valores. Muitos políticos não têm interesse pelo trabalho de manusear e prestar conta desse dinheiro e reclamam que não recebem esses repasses. Tem que ter ousadia para pegar dinheiro, prestar conta e investir na cidade.

EM TEMPO – Como o senhor pretende seguir sua caminhada eleitoral nos próximos 36 dias que ainda restam de campanha?
PMQ – Estamos encerrando uma primeira semana de campanha, que para nós foi um laboratório, e na rua nosso foco é caminhada mesmo. Nosso objetivo é olhar as pessoas nos olhos. Tivemos uma boa caminhada no Santa Etelvina. Então, nós pretendemos intensificar as caminhadas nas ruas.

EM TEMPO – Como o senhor vai conduzir sua campanha eleitoral para não cair no círculo do ódio e de ataques que sempre acontece nos pleitos eleitorais?
PMQ – É nesse nível a relação. Nossa campanha não é do ódio, da difamação. Cabe a todos comparar o que está aí e as propostas que temos para uma cidade melhor. Há uma lógica onde se olha mais o cartão postal, em função de outros bairros, e isso precisa ser trocado e repensado pelos políticos. Manaus é uma cidade com abismos muito grandes, você vê uma parte da cidade arrumada onde tudo funciona e a periferia abandonada. Temos que inverter a lógica do investimento, mas a decisão é política e não técnica. Então nosso desafio é esse, priorizar a parte mais pobre e necessitada da cidade e dar a oportunidade, às pessoas, de uma vida melhor.

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